Resposta Inflamatória Em Cirurgias De Implantes
As cirurgias odontológicas apresentam grau variável de sintomatologia dolorosa.
Os implantes unitários normalmente não apresentam limiar doloroso elevado, sendo seu tratamento à base de analgésicos de ação periférica.
Em cirurgia de colocação de implantes múltiplos associados a enxertos, a condição dolorosa pode apresentar-se elevada devido ao maior trauma tecidual. Nesses casos, fazem-se necessárias medicações para minimizar a hiperalgesia que podem ser instituídas através de antiinflamatórios não esteroidais ou corticosteróides.
O conhecimento do uso de antiinflamatórios no controle da inflamação é bem relatado na literatura, entretanto, existe uma restrição na indicação de corticosteróides devido aos efeitos negativos na reparação óssea do sítio receptor do implante.
Essa condição negativa sobre o mecanismo de reparação óssea é justificada em casos onde o indivíduo utiliza doses crônicas diárias da medicação, contudo, em um estudo em seres humanos, foi demonstrada que a eficácia clínica de betametasona em dose única no pré-cirúrgico, não demonstrou interferência na osseointegração dos 40 pacientes estudados, reduzindo o limiar de dor no pós-operatório conforme QUINTANA GOMES (2002).
Em um estudo realizado por JACOBSSON et al., (1994) demonstraram os efeitos dos antiinflamatórios não esteroidais “AINES” no reparo ósseo ao redor de implantes. O estudo foi realizado em cobaias totalizando dez coelhos, nos quais receberam implantes recobertos com hidroxiapatita inseridos no fêmur.
Cinco animais submetidos a cirurgia de colocação de implantes receberam 30mg de diclofenaco, via intramuscular, diariamente por sete dias. Os demais animais não foram submetidos à terapia com AINES, sendo utilizados como controle. Os controles foram realizados após o período de três semanas da colocação dos implantes, por meio de teste mecânico.
Os autores concluíram que o AINES inibiu o reparo ósseo ao redor dos implantes e que esse efeito não foi neutralizado pela cobertura de hidroxiapatita presente nos implantes
A técnica da utilização laser de baixa potência de GaAIAs (0,03 w e 830 nm) como agente analgésico e antiinflamatório foram pesquisadas em cirurgias com implantes por CICONELLI et al.(1997). o tratamento proposto foi à aplicação do feixe laser na paciente dois dias antes e dois dias após a intervenção cirúrgica. Segundo os autores a utilização do laser propiciou maior conforto no pós-operatório desse estudo.
Conforme estudo realizado nota-se que a resposta inflamatória é relativa, variando quanto ao tempo de administração das doses no controle da inflamação, não demonstrando que corticóides são totais responsáveis nos efeitos negativos da reparação óssea pós-implantes, devendo existir maiores estudos na confirmação de qual é a melhor medicação de controle antiinflamatório.
Referências bibliográficas
QUINTANA GOMES JR. V. Avaliação de um protocolo farmacológico para prevenção de infecção e controle da dor em implantodontia (tese de doutorado). Piracicaba: Faculdade de Odontologia de Piracicaba-Unicamp 2002.
JACOBSSON, S. A; DJERF, K, IVARSSON, I; WAHLSTROM, O. Effect of diclofenac on fixation of hydroxyapatite-coated implants. An experimental study. J Bone Joint Surg Br 1994; 76(5): 831-3.
CICONELLI, Karen Patrícia Castellucci; BRAGA, Carlos Alberto; BERRO, Renato José. Utilizaçäo da luz de baixa densidade de potência de GaAIAs como agente analgésico e antiinflamatório em cirurgias com implantes orais. JBC j. bras. Odontol. Clín;1(5):19-20, set.-out. 1997.
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helton miyoshi *Graduação em Odontologia UCCB **especialista em Estomatologia Bucal;
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Fonte: Article Marketing Brasil
Helton Miyoshi
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