O Bicho-Papão Do Mercado Consumidor Infantil

Antes de qualquer coisa deve-se explicar que vivemos em um mundo capitalista e que o consumismo tem ganhado força nos últimos anos.

Na visão de Araré Wellausen no livro “Consumismo: origem em cada um de nós” é: “Repetição compulsiva de tentativas de realização de desejos que, por não serem verdadeiramente desejos de consumo, mas sim se remeterem a objetos alheios à consciência, objetos de fantasia e da infância, não se aplacam, apenas mudam a forma”. (WELLAUSEN, 1988, p. 18).

É notória a mudança de valores e princípios dentro de dois séculos, durante o século XX para a maior parte da população o orçamento só tinha uma rubrica importante: a Alimentação, como é exposto por Fernand Baudhuin em seu livro “Princípios de Economia Contemporânea: o consumo”. Cabe observar a diferença no consumo de 1964 para os dias de hoje.

O norte-americano utilizava 25.1% de sua renda para a alimentação e tabaco, 14.9% para a habitação, 14.6% com a conservação da casa, 12.9% para os transportes, 10.0% com vestuários, acessórios e bijuterias, 6.3% para os cuidados médicos, 6.0% com os divertimentos, e apenas 1.7% com as despesas pessoais.

Passados 44 anos, o percentual de consumos com divertimentos e despesas pessoais deixaram de ocupar os últimos lugares na escala e passaram a ser prioridade na vida das pessoas de classe média e média-alta.

Para se ter uma idéia no primeiro trimestre de 2007 o consumo das famílias brasileiras cresceu sem 6% com relação ao mesmo período do ano de 2006. Consumindo um total de nada menos que R$ 68,2 bilhões.

Assim há um constante crescimento de compra, principalmente por parte das crianças. Atualmente elas encontram-se cada vez mais próximas de um mundo, em que até alguns anos atrás era considerado exclusivo dos adultos, já que se detinha em interesses por aparelhos eletrônicos, uma visão econômica específica, preocupação com dinheiro, enfim.

Isso é conseqüência da superexposição às propagandas que contêm apelos infantis como o uso de animações, efeitos especiais, crianças sendo usadas como atores e o excesso de cores e uso de mascotes. O economista e administrador de empresas Cláudio Raza cita, em seu artigo intitulado “A força do publico infantil no mercado de consumo”, encontrado no site www.administradores.com.br, um aumento no percentual de influência das crianças no consumo de 42% para 52% para os anos de 2005 a 2006.

Hoje crianças na faixa dos 7 as 9 anos já fazem uso de seu poder de compra, afinal sabem distinguir o que é caro do que é barato. Isso é evidente porque conseguem planejar e negociar, fazendo uso do dinheiro para comprarem roupas de grife, mp3, celulares e jogos eletrônicos.

De acordo com a TNS, líder global em notícias de mercado, essa superexposição e o fácil acesso com as informações atuais fazem com que as crianças de hoje tenham noções mais exatas sobre a pobreza, riqueza e dinheiro, pode ser que tornem-se assim  consumidores conscientes.

Todavia, há contradição pelo fato de a força do marketing as transformarem em pessoas hedônicas, ou seja, fazerem do prazer seus objetivos de vida. Pesquisas indicam que as crianças ficam na frente da TV por mais de três horas diárias, diz a advogada especialista em direito da família Sylvia Mendonça do Amaral em seu artigo “Perigos do consumismo infantil”, publicado no site da Revista Fator Brasil.

Ela acrescenta também que a preocupação dos pais já gerou mais de um projeto de lei, que visa a proibição da publicidade agressiva dos produtos destinados às crianças e adolescentes.

Essa proibição é necessária se levar em conta a questão da saúde, segundo a coordenadora do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, Isabella Henriques. A avalanche de comerciais dirigidos ao público infantil de alimentos poucos nutritivos ou fast foods promove o consumo excessivo de tais produtos nas crianças e tem ligação direta com o aumento do número de crianças obesas, o que por sua vez aumenta o número de adultos obesos. O que representa um gigantesco gasto para a saúde pública, com tratamentos, cirurgias, remédios, etc.

Um outro estudo da TNS demonstrou que as crianças conhecem meios de como persuadirem os pais a comprarem o que desejam, e que acabam comprando até como forma de suprir suas ausências, por conta dos empregos fora de casa e falta de tempo para com os filhos.

Apesar de todos os estudos que vêm sendo realizados ainda não há uma maneira eficaz para que se possa controlar toda mídia destinada às crianças. Por enquanto o que se tem são alguns métodos como: criar o hábito de fazer coisas juntos com os filhos (ler, jogar jogos de tabuleiro, cozinhar, tocar instrumentos, passear em parques, circos).

Não ter aparelhos de TV no quarto das crianças, limitar o número de horas frente ao computador etc. Mas ainda fica difícil quando se tem que competir com uma indústria que gasta US$ 15,00 bilhões anualmente para manipulá-las.

Referências

AMARAL, Sylvia Mendonça do. Perigos do consumismo infantil. Disponível em: <http://www.revistafatorbrasil.com.br/ver_noticia.php?not=2049 >. Acesso em: 17 mar 2008.

BAUDHUIN, Fernand. Princípios de Economia Contemporânea. 1 ed. São Paulo: Editora Difel, 1966. 282p. Coleção Enciclopédia de bolso

CASEY, Nicholas. Apetite das crianças por tecnologia faz indústria de brinquedos mudar. Valor Econômico, São Paulo, 19 dez 2007, Caderno de economia, p. B9

Maneiras de Proteger a criança do consumismo. Disponível em: <http://www.diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/2007/07/29/protegendo-as-criancas-do-consumismo/>. Acesso em: 12 mar 2008.

RAZA, Cláudio, A força do público infantil no mercado de consumo. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/a_forca_do_publico_infantil_no_mercado_de_consumo/20104>. Acesso em: 12 mar 2008.

WELLAUSEN, Araré. Consumismo – Origem em cada um de nós. 1ª. ed. Porto Alegre: Editora Tchê!, 1988. 367p.


Fonte: Article Marketing Brasil

carolwefort


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