A Angústia Da Renovação

Quando falamos de renovação, pressupõe-se que devemos ter consciência do que somos e do que poderíamos vir a ser. Mas acredito muito mais na capacidade de nos orientarmos nas questões que nos levam a pensar na renovação.

No texto O Ser e o Nada de Sartre é um modo de pensar a condição existencial e nessa perspectiva aponta para a constituição do homem enquanto lançado no mundo, num projetar rumo à construção de seu próprio ser.

Solitário e condenado a escolher, o homem tem que criar na sua existência uma maneira de ser. Essa escolha deve ser realizada pelo próprio vazio da consciência construída nos caminhos da liberdade e na vertigem da angústia de seu próprio existir. Sartre define o homem, enquanto consciência, um nada de ser.

Existe um grande paradoxo no significado da palavra Renovar-se:

Como é possível pensar na renovação?

A liberdade como consciência, revela ao ser humano a angústia. Para Sartre, o nada no ser humano torna possível tanto a experiência da liberdade de escolha como também da angústia.

Ambas surgem de maneira simultânea num contexto de ausência total de conteúdo ou fundamento na consciência. Em outras palavras, ao sentir-se como nada de ser, totalmente convicto na liberdade de escolha, a realidade humana experimenta a angústia, ou seja, a angústia não é o medo. Isto porque o medo aparece sempre frente há algo externo, algo fora do ser humano.

Já a angústia corresponde a algo diante de si mesmo, daquilo que constitui a própria realidade humana.

No entanto, as relações entre a angústia e o medo podem, em certos casos, aparecerem juntas; ou quando uma se torna presente posteriormente exclui a outra; ou ainda há momentos em que uma surge sozinha sem que haja necessidade da presença da outra.

Assim, na existência o ser humano se faz livremente como um possível, sem a exigência de um fundamento ou um conteúdo na consciência. Isto caracteriza a existência como angustiante.

Sartre comenta: “Com efeito, angústia é reconhecimento de uma possibilidade como minha possibilidade, constitui-se quando a consciência se vê cortada de sua essência pelo nada ou separada do futuro por sua própria liberdade”.

Referências Bibliográficas:

SARTRE,P.J. Ser e o Nada  o ensaio de ontologia fenomenolólgica Ed.Vozes ed. 1997 


Informaçoes sobre o autor

Daniela Morgan

Daniela C. Morgan

Estudante de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul
Estagiária de Psicologia do Ambulatório de Investigação de Doenças Neuromusculares da Unifesp

Site: http://ideiasecontextos.blogspot.com/

Fonte: Article Marketing Brasil

Daniela C. Morgan


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