Tratando A Inadimplência No Ensino Superior Com Profissionalismo

A inadimplência nas instituições de ensino superior é uma realidade. Em maior ou menor escala, o problema está presente na quase totalidade das IES do país. Motivada principalmente por altos índices de desemprego e pelo nível ainda modesto de renda dos alunos nesta fase da carreira, o problema vem tomando um grau de importância cada vez maior dentre os administradores.

Um dos fatores que torna o problema ainda maior é a forma de tratá-lo. Os setores administrativos das escolas tendem a improvisar um serviço de cobrança interno que muitas vezes não atingem os objetivos esperados, seja porque os funcionários envolvidos não tem dedicação integral ao assunto e/ou porque não tem o conhecimento técnico necessário para o desenvolvimento do trabalho. Recuperar créditos vencidos de alunos com eficiência exige técnica e profissionalismo.

Muitas IES terceirizam o serviço com escritórios de cobrança voltados ao mercado financeiro, o que ameniza mas não resolve o problema, uma vez que seus clientes principais (bancos ou financeiras ) tem como objetivo principal unicamente a recuperação do valor emprestado. No caso das IES, a preocupação maior deve ser a de receber os valores em atraso sem inviabilizar o pagamento das mensalidades a vencer, evitando desta forma a evasão de alunos. O enfoque é totalmente diferente.

Nossa experiência, atuando exclusivamente na recuperação de créditos de IES nos últimos dez anos, nos ensinou a conhecer com profundidade o aluno inadimplente. Eles têm características diferentes e para cada problema temos de dispensar o tratamento mais adequado.

São muitos os fatores que determinam o sucesso ou o fracasso na tentativa de recuperação de créditos de alunos inadimplentes. Um dos primeiros cuidados que devemos tomar é elaborar cuidadosamente uma política de cobrança , levando-se em conta o número de alunos, os valores envolvidos e o prazo decorrido após o vencimento das mensalidades.

Uma vez a política aprovada, é muito importante segui-la, de forma a permitir a avaliação de sua eficiência ao cabo de um determinado período. Nesta política, deve-se determinar até quantos dias após o vencimento da mensalidade o aluno será cobrado pelo corpo interno e quando será encaminhado para um escritório de cobrança/jurídico.

Na cobrança interna, que na maioria dos casos é feita por profissionais não especializados, corre-se sempre o risco de criar algum envolvimento emocional ou atrito com o aluno. A ausência de método pode levar a um risco de imagem.

A cobrança externa tem a vantagem de ser conduzida por profissionais, apoiados por sistemas desenvolvidos para este único fim. Fatores como a aderência aos preceitos do Código de Defesa do Consumidor, a imparcialidade, a aplicação de metodologia e parâmetros pré determinados, pode fazer toda a diferença no resultado e eficiência do trabalho.

Outro aspecto importante é a seleção das modalidades de cobrança que serão aplicadas. Pode-se utilizar correspondências, telefonemas, inclusão em cadastros negativos ( Serasa / SPC ) e até ações judiciais. Para cada fase ou valor envolvido existirá a escolha correta.  

Por fim, outro aspecto relevante é a questão dos custos. Escritórios especializados com sistemas de informática, telefonia e pessoal voltados integralmente para esta atividade tendem a conseguir maior eficácia que o mais eficiente setor administrativo interno da IES. Os honorários dos escritórios geralmente incidem somente sobre os valores recuperados. A alternativa de criar um departamento interno possivelmente será mais cara.

Como se pode ver, são muitos os detalhes que envolvem a atividade de recuperação de créditos. Como em todos os assuntos, ela poderá ser melhor desempenhada com ajuda de um profissional.

(SP 07/02/2008)

Pedro Cardoso de Almeida( pedro@cibrat.com.br) é bacharel e pós graduado em Administração de Empresas pela FGV/SP e sócio e diretor da CIBRAT – Cia. Bras. Recuperação de Ativos. www.cibrat.com.br


Fonte: Article Marketing Brasil

Pedro Almeida


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