A Construção De Novas Imagens Femininas Na Revista Realidade 1966-1976
Em abril de 1966, começa a circular pelo Brasil uma revista que promete mudar os rumos do jornalismo do país. Fundada por Victor Civita e com a direção de Paulo Patarra e Sérgio de Souza, “nasce um estilo”i de revista da editora Abril: Revista Realidade. Com o propósito de ocupar um espaço para uma concepção intelectualmente mais refinada de uma revista mensal, pretendia ampliar o nível do trabalho que os grandes nomes da reportagem produziam nesta época. De caráter polêmico, com escrita mais literária, pouco presa à objetividade e ao texto conciso, a Revista Realidade traz um diferencial na constante combinação entre descrição e narração em seus textos, carregados de impressionismo. Eram narrativas que rompiam com a maneira habitual de fazer jornalismo.
Através dos artigos publicados na Revista Realidade no período de 1966 à 1976, busca-se historicizar a construção de novas imagens femininas a partir da redefinição do gênero, pois as fronteiras sexuais foram borradas nesta época. A dita “revolução sexual” deste período promoveu uma transformação nos costumes e nas relações de gênero. São novos comportamentos e novas atitudes, diferentes dos antigos costumes, que modificam o cenário da época. Portanto, em seus discursos novas e modernas imagens femininas estão sendo construídas, atuando em determinadas relações configurando hábitos e atitudes públicas que moldam a perspectiva de uma “nova mulher”.
Numa época de censura e hipocrisia, na qual muitos temas eram proibidos ou considerados tabus, ela procurava discutir de forma profunda e critica os fatos e o contexto em que vivia o país.ii Podemos citar da Revista Realidade de janeiro de 1967, a reportagem intitulada: “A Mulher Brasileira, hoje”iii, que relatava o trabalho de Odila, parteira de mais de mil crianças de Bento Gonçalves. Foram publicadas fotos das cenas do parto feitas pela fotógrafa Cláudia Andujar, ao lado do jornalista Narciso Kalili. A censura da época considerou as imagens publicadas obscenas, pois “feria a moral e bons costumes”iv. Isso, foi o motivo para justificar a apreensão da revista nas bancas, em menos de 48 horas. Em fevereiro de 1967, a revista publicou os despachos judiciais que proibiram sua circulação. Somente em outubro de 1968, a edição especial da revista foi liberada pelo Supremo Tribunal Federal.
Outra reportagem de assunto polêmico no início dos anos 70, foi publicada na edição de julho de 1972, produzida por Audálio Dantas e Domingos Meireles, intitulada: ‘Não Matarás?’ nos quais discute sobre o aborto no mundo. Não era só no Brasil que discutia esse assunto polêmico. Na França, Itália, Alemanha e na maioria dos países da Europa Ocidental, crescia a pressão de grupos feministas em defesa da liberalização do aborto.
No entanto, a censura estava presente nos meios de comunicação, principalmente, quando assuntos como: o aborto, a contracepção, o divórcio, a igreja progressista, as idéias da esquerda, jovens transviados, a guerra dos estudantes, eram abordados, pela a Revista Realidade. Ela desafiava as ameaças da censura e retratava com profundidade as transformações que ocorriam no mundo e no Brasil simultaneamente. Sendo também apreendida e liberada somente 20 meses depois.v
Na realidade, percebe-se a existência de uma preocupação em não ultrapassar determinados limites, a respeito do que era oferecido às mulheres. Está inserida na imprensa da época uma censura legitimada pela ditadura, que a partir de 1964 passa a exercer o poder”vi, além de uma “vigilância interna, que diz quais os enfoques que devem ser dados aos espaços onde os problemas femininos seriam discutidos.”vii
As décadas de 60 e 70 representaram um momento de grande “efervescência política, social, cultural e ideológica. Foi acentuada a rebeldia dos valores existentes, ditos tradicionais. A década de 70 foi marcada por golpes e revoluções, como se fosse um “painel de acontecimentos diversos”.viii
Contextualizando o período histórico da revista que teve duração de dez anos (1966-1976), percebe-se com maior nitidez sua importância. Os anos 60 forma considerados tempos de ebulição, onde a percepção que havia um mundo de mudança fez a diferença em Realidade. Valores até então intocáveis como a idéia da família, eram assuntos permanentes na revista.ix
Em vários países do mundo, o ano de 1968, foi marcado por manifestações sociais, políticas e culturais em várias partes do mundo, sendo palco de protestos contra a ditadura, destacando a rebeldia do movimento estudantil e do movimento operário. Este ano foi o foco de descontentamentos que vinham fervendo em vários pontos do planeta, onde a juventude funcionou como ator principal. Exemplo disso eram os milhares de jovens dos Estados Unidos que se negavam a participar da Guerra do Vietnã: o conflito não era seu. A juventude negra foi a mais expressiva com relação à rebeldia, pois tinha acesso vedado as melhores posições sem contar com os plenos direitos civis no sul dos Estados Unidos. Foi uma explosão de manifestações e violência.
No Brasil, por exemplo, os anos de 60 e 70 foram reconhecidos como anos de mudanças, as quais promoveram transformações na estrutura da produção e da sociedade, nos comportamentos políticos e nas manifestações culturais. Lutava-se contra o regime de ditadura militar implantada em 1964, contra a reforma educacional, o que mais tarde provocou o “fechamento do Congresso e na decretação do Ato Institucional n.º 5”.x
Além disso, o país foi palco de grande expansão da massificação das informações e dos padrões de comportamento de consumo. Nos meios de comunicação a televisão foi o principal veículo que penetrou de forma incomparável numa década em que as redes de telecomunicações atingiram distantes regiões do país. Ela generalizou-se em todas as camadas sociais. Ou melhor, “a informação era dominada pelo rádio e pela televisão.”xi Esse papel tornava-se importante pelo fato de transmitir em cores, ao vivo, partindo de São Paulo – Rio de Janeiro os últimos ditames da moda, a coqueluche dos fliperamas e das discotecas, o culto ao corpo e a valorização dos padrões de beleza, a exaltação do individualismo e do consumismo.
O que ocorre nos anos 70 é uma mudança de atitude, pois as mulheres pensam mais no controle da concepção, percebe-se uma substancial diminuição no casamento formal. Desta forma, pode-se verificar uma aceleração dessa tendência nos desvairados anos 60. No fim da década de 1970, houve mais de 10 divórcios para cada mil casais casados na Inglaterra e Gales ou 5 vezes mais que em 1961.
No ano de 1970, a Revista Realidade de circulação nacional, apresenta bem esta questão de revolução dos costumes refletida na sociedade brasileira. Ela trouxe um artigo intitulado: “O Corpo é o refúgio onde os jovens querem achar sensações novas. É a Revolta contra a Alma”xii, de Paulo Francis, onde discute a mudança radical dos costumes, a liberdade sexual, que envolve relacionamentos, a maneira de vestir-se e de comportar-se. As mulheres têm mais liberdade, principalmente em falar de prazer, sentem-se mais livres.
Observa-se essas mudanças na própria cultura jovem que se apresenta como a sede principal da revolução cultural. Trata-se de uma revolução nos modos, nos costumes e nas formas de usufruir do lazer, que forma o cenário dos homens e mulheres urbanos e modernos desta época.
Francis, no seu artigo, afirma que “as origens e feitos da revolução dos costumes do nosso tempo estão em debate permanente”xiii mostra como a juventude lidera esse movimento, que se alastra também às elites dos outros países ou seja a juventude torna-se agente social mais cedo do que outras gerações, a busca pela independência.
No tocante as gerações mais velhas, o autor percebe que elas cedem ao impacto das novas liberdades. É como se a revolução dos costumes, tivesse ultrapassado os limites da moralidade sexual nas manifestações extremas,pois ela está presente em todos os aspectos. Os jovens rejeitam os valores e costumes das gerações de seus pais com um novo estilo de ser, o informal. Usam uma nova linguagem através das roupas, do comportamento, para mostrar ao mundo, que não faz sentido para eles os valores dos mais velhos.
Percebe-se que este período incorporou a revolta juvenil em suas atitudes. Insere-se em todas as camadas sociais diversos rótulo, que vão: do moleque ao boêmio e ao playboy, dependendo da condição econômica de cada um. Há que observar o comportamento hippie, como um estilo informal, uma nova linguagem usada pelos jovens neste período. A Revista Realidade, intitulada: “Ser hippie é adotar uma nova moral entre os sexos, subverter o significado das coisas. Ensaio das cores”xiv, discorre sobre a conduta desses jovens rebeldes.
“É uma tentativa de encontrar um novo estilo de vida, á margem de formas de conduta ditadas pela sociedade da técnica, do consumo e segundo seus críticos - da neurose em massa. Como negação do convencional, da ordem estabelecida, o movimento hippie, que seduz multidões de jovens americanos e europeus - já se sabe o que não quer. Na busca de saídas criadoras, porém descoberta de uma iluminação, ainda não sabe para onde vai. É um gosto primitivo de entregar o corpo a um dia de sol. O nome desse dia pouco importa, que a semana pode ser toda ela um domingo. Os hippies rejeitam a divisão do tempo em trabalho e lazer, ócio e negócio. Em sua procura pelo reino da liberdade, a expressão” ganhar a vida “não faz sentido, a competição econômica é uma doença. É adotar uma nova moral, especialmente na área das relações entre os sexos. Este é um dos aspectos mais desconcertantes da chamada” revolução hippie “porque combina, dentro de uma estranha alquimia, pureza e devassidão”. Os hippies retomaram as teses já centenárias, do amor livre, para enriquecê-las pelo menos é o que dizem numa prática fundamentada na valorização da personalidade de cada um, sem preconceitos nem ambições de posse individual. Ao transformar uma bandeira nacional em roupa, os hippies ensaiam uma subversão dos significados habituais das coisas, como alguém que toma uma palavra qualquer para designar algo inteiramente diferente do que ela exprime para os outros. Para que? Por que não? Seria sua resposta”.xv
É clara a liberação pessoal e social destes jovens, que se uniam através do sexo e das drogas para romper com o convencional, com as leis dos pais, do próprio poder.Portanto, responder a pergunta que época foi esta? Permite-se afirmar que ela assistiu a proliferação de uma imensa diversidade de comportamentos, tendências culturais e estilos de vida. Compreende-se que ocorreu um vendaval que atingiu corações e mentes com movimentos por liberdade e direitos tais como: sindical popular, dos estudantes, das mulheres, dos negros, dos homossexuais. Sendo que o determinante primordial do fim da década foi os movimentos pelos direitos das denominadas minorias, que se organizaram e promoveram seus próprios debates, congressos e manifestações públicas.
Contudo, o que mais chama a atenção nesta época é a atuação das mulheres na sociedade, promovendo fortes mudanças. Elas avançaram na questão de emancipação econômica e sexual, além da sua presença crescente nos movimentos reivindicatórios e políticos da década. Ou seja, as mulheres tiveram o desenvolvimento de uma ação mais direta e organizada, pois os movimentos feministas lutaram contra a ditadura e por problemas específicos das mulheres tais como: sexualidade, o controle da concepção, o aborto, o prazer sexual, a dupla jornada de trabalho, a discriminação econômica, social e política.
Todos estes fatores foram primordiais para a Revolução Sexual inserida na Revolução dos Costumes. A busca de liberdade atingiu também a vida privada da população em geral. As mulheres através da pílula anticoncepcional apresentaram um comportamento mais liberal, também refletido na maneira de se vestir. As roupas curtas são também símbolos de desinibição. Elas queriam a igualdade de direitos, de salários, de decisão. Esses aspectos constróem o modelo de uma “terceira mulher”xvi, considerada uma autocriação feminina. O modelo da primeira mulher foi o belo sexo, a educadora dos filhos, fada do lar, já a segunda mulher era enaltecida, idolatrada. Ou seja, tanto a primeira quanto a segunda mulher estavam subordinadas ao homem, mas a terceira “é sujeita de si mesma”.
“(...) Desvitalização do ideal da mulher do lar, legitimidade dos estudos e do trabalho feminino, direito ao voto, “descasamento”, liberdade sexual, controle da procriação: manifestações do acesso das mulheres à inteira disposição de si em todas as esferas da existência, dispositivos que constróem o modelo da “terceira mulher”.xvii
O sexo foi considerado um divisor de águas entre as gerações. A revolução dos costumes da época apresentou o sexo, sem marcas de pecado, como uma função fisiológica normal. A pílula anticoncepcional e o reconhecimento do direito da mulher à auto-subsistência econômica livram o sexo de muitos dissuasivos legais. Agora, “o jovem contemporâneo redescobriu o corpo e se entrincheirou nele.
Porém, a dita revolução dos costumes e a revolução sexual podem ser caracterizadas pela época do consumo de massa, não somente pela proliferação de produtos diversos, mas principalmente pela profusão de signos e referenciais de sexo. Ou seja, a revolução dos costumes está intrinsecamente relacionada com a revolução sexual. A liberdade sexual feminina deixou de ser um sinal de imoralidade, a atividade profissional feminina se beneficiou de julgamentos amenos. Dessa forma, a revolução sexual aparentemente elimina os últimos tabus, pois a noção de atentado aos bons costumes desaparece . Após o direito à informação sexual, nas escolas, através da televisão, é a proclamação do direito ao prazer sexual.
Além disso, percebe-se o reconhecimento do trabalho social feminino relacionado com o liberalismo sexual. O reconhecimento social do trabalho feminino traduz o reconhecimento do direito de viver mais para si própria com independência econômica.
“(...) O trabalho feminino só se torna legítimo quando o liberalismo cultural sustentado pela dinâmica do consumo e da comunicação de massa autoriza o sexo em relação à moral, generaliza o princípio de livre posse de si e desvaloriza o esquema da subordinação do feminino ao masculino”.xviii
Contudo, a evolução dos costumes tende a eliminar, apagar as diferenças de posição mostrando que a vida coletiva coloca em contato pessoas iguais em sua particularidade, ou seja, essa recusa de ser classificado, definido por sua posição, constitui uma vontade de ser tratado como pessoa privada dentro da própria vida coletiva. Ela leva à diluição de papéis sociais.
Em vista disso, conclui-se que as décadas de 60 e 70 foram marcantes em diversos países, principalmente pelos movimentos estudantis de 1968, pelas ditaduras implantadas, pelas lutas sindicais, pelas lutas de emancipação feminina relacionadas com a discussão de questões específicas das mulheres, tais como: sexualidade, aborto, o controle da concepção, o prazer sexual, a discriminação econômica, social e política. Enfim, são as características da revolução dos costumes envolta na revolução sexual presente nas sociedades em geral. A individualidade, novidade e liberdade, são fortes características do final da década de 60 e ao longo dos anos70. São fatores veiculados a um momento específico, onde os movimentos feministas, os hippies e toda uma contracultura que estava organizada no sentido de fugir aos padrões impostos pela sociedade.
No entanto, percebe-se que o quadro político brasileiro no pós-guerra: a exacerbação do fenômeno populista, as questões nacionalistas, as eleições, o crescimento da participação das massas urbanas na polarização que se intensificava, promoveram o surgimento da Revista Realidade. E neste contexto, a simples objetividade da informação se revelava carente de recursos para que a imprensa pudesse acompanhar o ritmo da vida nacional nos anos 60.
Portanto, conhecendo um pouco da História da Revista Realidade percebe-se a importância da revista para a História da Imprensa Brasileira e principalmente para a História Cultural. Sabe-se que o discurso de denúncia e de oposição ao regime da época, formava a base do público leitor de Realidade ou seja, as classes médias intelectualizadas. O que chama atenção é a riqueza dos temas polêmicos que envolvem as mulheres, tais como: “Desquite ou divórcio?”xix em edição de julho de 1966, “A mulher brasileira hoje”, em janeiro de 1967, “ Olhos de Leila, boca de Leila, perfil de Leila”, em abril 1971, e “Não matarás” em julho de 1972, que fala claramente sobre o aborto, são alguns exemplos de matérias interessantes no conteúdo dessas revistas. Isso permite-nos começar a analisar a construção de novas e modernas imagens femininas na Revista Realidade.
Neste contexto, o ser mulher está sendo analisado e questionado de forma mais acentuada pela imprensa. Tendo em vista, que as mulheres no decorrer da História tiveram papéis de mãe, esposa, dona-de-casa, avó e amante. A partir do momento que fica evidente que elas são capazes de exercer diversas funções na sociedade, antes destinadas exclusivamente aos homens, vem sendo questionada num processo ao longo dos anos. Portanto, conseguem liberta-se seja no comportamento, assim como na própria maneira de se vestir e construem uma nova imagem, constituem –se em “novas e modernas mulheres”.
O objeto desta pesquisa é analisar profundamente a redefinição do gênero, pois as fronteiras sexuais foram borradas nesta época. Quais artifícios serão usados para bloquear o avanço do comportamento feminino? Pode-se observar através dos artigos da Revista Realidade que abordam estas questões, em diversas matérias. Além disso, sabe-se que a dita liberação sexual da época provocou uma transformação nos costumes e nas relações de gênero. São novos comportamentos e novas atitudes, diferentes dos antigos costumes, que modificam o cenário da época.
Através da análise destes artigos, pretender-se estudar de forma mais aprofundada estas mudanças focando a redefinição do gênero. No entanto, em seus discursos novas e modernas imagens femininas estão sendo construídas, que atuam em determinadas relações configurando hábitos e atitudes públicas que moldam a perspectiva de uma ‘nova mulher’.
Contudo, a principal motivação para desenvolver esta pesquisa remete-se a inovação e polêmica dos assuntos que a revista aborda, pois Realidade foi um referencial das mudanças de valores da época. Ela partilhou com seus leitores os significados da época, todos eles marcados pela transgressão do conservadorismo. Ela foi fonte de pesquisa para a realização do meu trabalho de conclusão de curso de História nesta mesma universidade, quando estava pesquisando sobre a dita ‘Revolução Sexual” e Revolução dos Costumes dos anos fins dos anos 60 e 70. A riqueza de informações encontradas na revista foi um ponto decisivo, para a escolha da Revista Realidade como principal fonte de pesquisa, sendo que ela por si só já está inserida na História da Imprensa Brasileira. Ela porque soube retratar um país que mudava constantemente sendo “percursora de um jornalismo investigativo, inventivo e exaustivo”, não demonstrando medo, numa época informou e discutiu temas considerados proibidos.
“Realidade sempre foi uma revista que inovou. Em abril de 1966, seu 1º número surgiu com forma de abordar alguns assuntos polêmicos e esgotou-se a revista. Após alguns anos de grande sucesso neste caminho, a revista resolveu partir para linha dos grandes documentos – Amazônia, Nordeste- em que cada edição aprofundava de tal forma o tema central do número que até hoje são exemplares disputados por estudantes, professores e pesquisadores universitários. Entre os resultados posteriores desses primeiros 7 anos de vida estão 12 prêmios: 9 Prêmios ESSO ( de jornalismo em 1966, de reportagem em 1967 e 1968 de Informação científica em 1967, 68 e 69. 3 Prêmios, em 1972 de melhor equipe, melhor trabalho e melhor contribuição para a imprensa. Prêmio Sip Mergenthaler, concedido a um de seus editores pela Sociedade Internacional de Imprensa em 1968 e o Prêmio Sudene de Jornalismo de 1972 e 1973. Mas o Brasil continua mudando. E há cada vez mais pessoas querendo saber sobre mais assuntos. Por isso optamos por uma nova fórmula que permitisse à revista não só continuar com seus temas que lhe trouxeram fama como incluir outros novos. Assim é com muito orgulho que editora Abril lança esta nova revista. Uma revista que sempre inovou. (Victor Civita)”xx
Desta forma, a revista da Editora abril, lançada em 1966, tem despertado a atenção de estudos acadêmicos em diversas áreas. É importante citar as publicações e pesquisas que envolvem a Revista Realidade com o objetivo reforçar a originalidade desta pesquisa. Conforme os estudos mais atualizados, Realidade é, considerada um marco da imprensa brasileira e suas características são apontadas como tendências que deixaram um traço de qualidade na produção jornalística. A periodicidade mensal da revista contribuía para melhor observação e elaboração dos textos que tinham o toque da individualidade de cada repórter com a finalidade de envolver o leitor, no sentido de emocionar o público e retratar a realidade ao mesmo tempo.xxi Realidade situava o leitor no âmbito universal dos problemas de seu tempo, mas fazia desnudando a crise do contemporâneo, com sua extraordinária variedade temática.
Podemos citar, J.S.Faroxxii, fez da Revista Realidade seu objeto de pesquisa na tese de doutoramento “Revista Realidade : 1966-1968. Tempo de Reportagem na Imprensa Brasileira. Faro, observou a revista sobre o impacto de novos tempos, principalmente a imposição do Ato Institucional n.º 5, que agravou a situação autoritária do país. Percebeu-se a ocorrência dos meios eletrônicos, que roubavam o público e também a publicidade.
Já Bernardo Kucinski, em suas pesquisas sobre a história da imprensa alternativa no Brasil, afirma que a Revista Realidade teve a responsabilidade de ter sido uma das publicações que, esteve na origem da imprensa que nos anos 70 foi a portadora de um estilo de resistência à ditadura militar.
Kucinski, afirma a existência de duas das vertentes: duas linhagens, uma existencial, outra política, que constituíram as bases da imprensa alternativa vieram de Realidade. A revista da Abril surgiu em plena revolução da sexualidade e introdução da pílula anticoncepcional, e se tornou um êxito editorial com um jornalismo baseado na reportagem social, na discussão crítica da moral e dos costumes, mostrando um Brasil real, em profundas transformações.
Além disso, determinadas características da Revista Realidade permitiam sua concretização de projeto avançado da imprensa brasileira: a de funcionar com uma redação que gozava de grande autonomia na orientação de cada número que ia às bancas, embora pertencesse a grupo editorial cujas relações com o poder do Estado autoritário e com o capital estrangeiro vinham sendo denunciadas à época do lançamento da Revista Realidade, n.º 21 de dezembro de 1967.
Neste contexto, destaca-se também a pesquisa de Edvaldo Pereira Lima. Trata-se de outra tese de Doutorado apresentada à ECA/USP cujo objetivo foi analisar as condições de produção da reportagem fora dos órgãos convencionais de informação, ou seja o livro-reportagem. Assim como, o último dos estudos acadêmicos que aborda a Revista Realidade é a tese de Doutorado da Professora Terezinha Fátima Tagé Dias Fernandes apresentado à ECA/USP em 1988 sob o título Jorge Andrade, Repórter Asmodeu. Sua tese, diferentemente das anteriores tem como objetivo a análise específica de textos produzidos para a revista pelo escritor e dramaturgo Jorge Andrade no período de 1969-1973.
Podemos citar também outras publicações que envolvem a perspectiva de Gênero e trabalham com periódicos que exerceram importante influência na composição deste projeto. Luciana Fornazari, autora da dissertação de mestrado intitulada: “Gênero em Revista: Imagens Modernas de homens e mulheres na Revista O Cruzeiro do segundo pós-guerra”, tem o objetivo de analisar durante o segundo pós-guerra- de 1945 até 1955- a constituição de sujeitos modernos através da imagens femininas e masculinas publicadas na revista O Cruzeiro.
Outro trabalho que podemos destacar é o de Nucia Alexandra Oliveira, autora da dissertação “As páginas da beleza...as representações sobre a beleza feminina na imprensa (1960-1980).”, cuja discussão resume-se como o corpo e beleza têm sido utilizados para a definição dos gêneros masculino e feminino. “A abordagem é feita a partir da análise de textos, sobretudo anúncios publicitários, onde determinados elementos aparecem definindo e construindo não apenas os contornos dos corpos belos, mas também aqueles referentes ao que chamamos de corpos generificados.”xxiii
Contudo, percebe-se que tanto Faro, Kuciski, Lima e a Professora Terezinha, em seus estudos abordaram a Revista Realidade sob outros ângulos voltados para imprensa alternativa no Brasil, diferentes da proposta deste projeto. A relevância e originalidade desta pesquisa remete-se a reconstrução de novas imagens femininas de 1966 á 1976, por meio das polêmicas matérias publicadas em Realidade. Através desta ótica e deste entendimento de pensar e escrever História, é possível entender que as fronteiras de gênero foram borradas. Percebe-se a existência de uma “nova mulher”.
Esta pesquisa está voltada sob a perspectiva de Gênero. Sabe-se que a questão da diferença entre homens e mulheres é construída socialmente e desta forma definida através das múltiplas relações entre os indivíduos.
Neste contexto, deve-se pensar o conceito de representação como uma maneira de pensar e perceber história. Sabe-se que através da interpretação de uma determinada representação pode-se dialogar com os padrões ou valores de um período. Permite-se identificar quais eram as prescrições para a construção de novas imagens femininas a partir da redefinição do gênero.
Roger Chartier, em A História Cultural entre práticas e representações argumenta que as representações do mundo social não podem ser consideradas discursos neutros, pois produzem estratégias e práticas sociais, políticas, escolares e políticas. Percebe-se que as representações não são imposições forjadas, pois as idéias presentes na imprensa não são criações separadas da sociedade, pois deve haver uma sintonia entre aquilo que está sendo mostrado e o público que receberá a mensagem.
“Por isso esta investigação sobre as representações supõe-nas como estando sempre colocadas num campo de concorrências e de competições cujos desafios se enunciam em termos de poder e de dominação. As lutas de representações tem tanta importância como as lutas econômicas, para compreender os mecanismos pelos quais um grupo impõe, ou tenta impor, a sua concepção de social, os valores que são os seus, e o seu domínio.” xxiv
A história cultural tem por principal o modo como diferentes lugares e momentos, uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler. No entanto, os discursos e representações publicados em determinadas revistas constróem uma determinada imagem e vendem essa produção que interage naquilo que processamos em nossos cotidianos e na construção de nossas próprias verdades. As representações e discursos publicados tanto em jornais quanto em revistas não funcionam como imposições. O discurso interage com o momento em que emerge. Desta forma, pode-se pensar nas estratégias e práticas que trazem à tona uma determinada questão problema.
Para Chartier , compreender os princípios que governam a ordem do discurso pressupõe decifrar, com todo o rigor, aqueles outros que fundamentam os processos de produção, de comunicação e de recepção dos livros (e de outros objetos que veiculam o escrito”.xxv Já Michel Foucault, enfatiza que a produção do discurso é controlada, selecionada, organizada e redistribuída por inúmeros procedimentos, podendo evidenciar ou silenciar as questões. Argumenta que a ordem do discurso desloca-se constantemente, construindo verdades, silenciando tabus, fundamentando algumas questões e negligenciando outras.
“A problemática do mundo como representação, moldado através das séries de discursos que o apreendem e o estruturam, conduz a uma reflexão sobre o modo como uma figuração desse tipo pode ser apropriada pelos leitores dos textos ( ou das imagens) que dão a ver e a pensar o real. (...) No ponto de articulação entre o mundo do texto e o mundo do sujeito coloca-se necessariamente uma teoria da leitura capaz de compreender a procriação dos discursos, isto é, a maneira como estes afetam o leitor e o conduzem a uma nova norma de compreensão de si próprio e do mundo”.xxvi
Além do conceito das representações, é importante pensar sobre o conceito de leitura. Para Roger Chartier, a “leitura não se protege contra o desgaste do tempo; ela pouco ou nada conserva de suas aquisições e cada lugar por onde passa é a repetição do paraíso perdido.”xxvii Para Pierre Bourdieu, “cada vez que a palavra leitura for pronunciada, ela pode ser substituída por toda uma série de palavras que designam toda espécie de consumo cultural”.xxviii
No que diz respeito às relações de gênero, procura focalizar relacionamentos entre homens e mulheres, “enfatiza o aspecto relacional das definições normativas de feminilidade”xxix implica em perceber que “os homens e mulheres são definidos em termos recíprocos e nenhuma compreensão de um deles pode ser alcançada por um estudo separado. Além disso, o “gênero é construído diferentemente nas diversas classes sociais”.xxx
“A categoria gênero é novidade na produção historiográfica brasileira. As ciências sociais têm tomado a dianteira, trabalhos inovadores, utilizando o conceito, têm sido publicados. Entre as historiadoras/es o conceito ficou submerso em pesquisas que tem se dedicado muito mais à história das mulheres. Pesquisas inovadoras tem apontado as tensões sociais nas quais as relações entre as classes, os sexos e as etnias determinam os lugares sociais das mulheres e constróem as exclusões ao recorrer a mitos e estereótipos presentes na cultura ocidental”.xxxi
Desde a década de 70, o termo gênero é usado para teorizar a questão da diferença sexual. Foi inicialmente utilizado para acentuar o caráter fundamentalmente social das distinções baseadas no sexo. A palavra direciona para uma rejeição ao determinismo biológico implícito no uso de termos como sexo ou diferença sexual. Desta forma o gênero marca o aspecto relacional entre as mulheres e os homens, é uma forma de compreender as relações complexas entre diversas formas de interação humana.
Joan Scott, no artigo “Gênero: uma categoria de análise histórica”, explica que a mais recente e simplificada utilização do termo “gênero”, é visto como sinônimo de mulheres. Porém, “gênero” indica a erudição e a seriedade de um trabalho, tem uma conotação mais objetiva e neutra do que as mulheres.xxxii
“O termo “gênero” não implica necessariamente uma tomada de posição sobre a desigualdade ou o poder; Enquanto o termo história das mulheres revela sua posição afirmando que as mulheres são sujeitos históricos válidos, o “gênero” inclui mulheres. Este uso de gênero é um aspecto que se poderia chamar de busca de uma legitimidade institucional para os estudantes feministas, nos anos 80.(...) Gênero tanto é substituído para mulheres como é utilizado para sugerir que a informação sobre o assunto “mulheres” é, necessariamente informação sobre os homens, que um implica o estudo do outro. Esta utilização insiste sobre o fato de que o mundo das mulheres faz parte do mundo dos homens, que ele é criado em e por este mundo.”xxxiii
Além disso, “gênero” torna-se uma forma de indicar construções sociais, tais como a criação inteiramente social de idéias sobre papéis adequados aos homens e às mulheres. É uma maneira de se referir às origens exclusivamente sociais das identidades subjetivas dos homens e das mulheres. Percebe-se que as identidades estão sujeitas a uma historicização radical, estando de forma constante em processo de transformação e mudança.xxxiv
Contudo, para Scott, a definição de gênero tem duas partes e diversas subpartes, que estão ligadas entre si, porém deveriam ser diferenciadas na análise. Para Scott, o significado de gênero é um elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre diferenças percebidas entre sexos e gênero é um primeiro modo de ser significado às relações de poder.
Já Judith Butler, comenta sobre a identidade de gênero, com a famosa frase de Simone de Beauvoir “Não se nasce , mas torna-se mulher”xxxv propondo o questionamento que o gênero é ao mesmo tempo uma construção cultural e uma questão de escolha.
“O verbo “torna-se” encerra, porém uma ambigüidade conseqüencial. Não só somos nós culturalmente construídos como, em certo sentido, construímo-nos a nós mesmos. Para Beauvoir, tornar-se mulher é um conjunto de atos propositais e apropriativos, a aquisição gradual de uma postura, um ‘projeto’ em termos sartrianos, assumir um estilo e significado corpóreo culturalmente estabelecido. Quando “torna-se” é entendido como significando “assumir ou encarnar intencionalmente”, a declaração de Beauvoir parece arcar com o fardo da escolha sartriana. Se os gêneros são em certo sentido escolhidos, então o que acontece com a definição de gênero como uma interpretação cultural do sexo, isto é, que acontece com os modos pelos quais somos, quer dizer, já culturalmente interpretados?”xxxvi Sendo assim, a proposta desta pesquisa remete-se a reconstrução de novas imagens femininas de 1966 á 1976, por meio das polêmicas matérias publicadas na Revista Realidade. Através desta ótica e deste entendimento de pensar e escrever História, é possível entender que as fronteiras de gênero foram borradas. Percebe-se a existência de uma “nova mulher”. Portanto, é correto reafirmar que esta pesquisa está voltada sob a perspectiva de Gênero e a questão da diferença entre homens e mulheres é construída socialmente e desta forma definida através das múltiplas relações entre os indivíduos.xxxvii Referências 1 (artigos da Revista Realidade) NILSSON, Lennart. Os dias de criação. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 04/1966, p.44-49 PORRO, Alessandro. Eis Roberto Campos. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 04/1966, p.26-31. MERCADANTE, Luis Fernando. Feliz aniversário Arthur. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 05/1966, p.28-32. MERCADANTE, Luis Fernando. Jango e Brizola cunhados em choque. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 07/1966, p.31-37. MARÃO, José Carlos. Desquite ou Divórcio. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 07/1966, p.58-63. NASH, Stephen. Sou padre e quero casar. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 09/1966, p.50-54. KALILI, Narciso. Revolução na igreja. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 10/1966, p.52-57. KALILI, Narciso. A mulher brasileira, hoje. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 01/1967, p.60-64. MARÃO, José Carlos. SOUZA, Afonso de. Isto é proibido. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 06/1967, p.80-83. KALILI, Narciso. Existe preconceito de cor no Brasil. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 10/1967, p.42-46. O cérebro vive independente do corpo: uma experiência feita nos EUA vem abalar os conceitos científicos e religiosos sobre a vida e a morte. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 02/1968, p.23-26. RIBEIRO, José Hamilton. Eu estive na Guerra. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 05/1968, p.86-91. SOARES, Dirceu. Eles querem derrubar o governo. Revista Realidade. Rio de Janeiro,07/1968, p.32-35. PEREIRA, Roberto. Estamos deixando a terra. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 08/1968, p.48-53. Eis a vida: Ugo Orlandi que ressuscita: o bebê que nasce: a velha que quer ser lembrada. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 03/1969, p.36-41. A batalha do sexo sustentam alguns que a noção do fruto proibido é coisa do passado. E que o amor platônico é peça de museu. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 07/1969, p.40-44. FRANCIS, Paulo. O corpo é o refúgio onde os jovens querem achar sensações novas. É a revolta contra a alma. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 07/1969, p.80-84. FRANCIS, Paulo. Vale tudo na Holanda. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 10/1969, p.107-111. FRANCIS, Paulo. Ser hippie é adotar uma nova moral entre os sexos, subverter o significado das coisas. Ensaio das cores. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 11/1969, p.141-146. As crianças julgam os adultos. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 01/1970.p.46. O homem julga a mulher brasileira. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 02/1970, p.47-51. Unissex é a mais que moda. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 04/1970, p.49-53. A vida corajosa. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 03/1970, p.48-51. A terra da gente: os jovens , a mulher as raças, os comquistadores as imagens e as idéias do Brasil de hoje. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 07/1970, p.52-56. MERCADANTE, Luiz Fernando. Como pode o peixe vivo. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 02/1971, p.34-37. O melhor retrato do Brasil talvez seja mesmo a mulher. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 02/1971, p.59-63. Sou moça de novo, já me aceitam para casar. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 03/1971, p.60-63. SILVA, Carmem da. Olhos de Leila, boca de Leila, perfil de Leila. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 04/1971.p.62-67. Oriana Fallaci prevê a guerra das mulheres o inimigo é homem. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 05/1971, p.62-64. Ela é cafona mesmo? O strip-tease de Marília Pera. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 06/1971, p.63-65. MAMPRIN, Luigi. Este homem diz coisas assim. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 07/1971, p.56-60. MEIRELES, Domingos; DANTAS, Audálio. Não matarás. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 07/1972, p.62-65. O passado está na moda. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 05/1973, p.86-90. O pecado hoje. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 06/1973, p.87-91. O fantástico futuro do homem. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 01/1975, p.119-122. Sexo no jardim de infância. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 02/1975, p.108-112. “1976 excepcional”. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 01/1976, p.118-122. Homem ou mulher? Saiba usar o que você tem no sexo oposto. Revista Realidade. Rio de Janeiro, 10/1976, p.115-119. Revista Realidade (1966-1976). Revista Realidade. Rio de Janeiro, 08/1999.Edição Especial. BURKE, Peter. A arte da conversação. São Paulo: Ed.UNESP/SP, 1995, p.9-49. BURKE, Peter.(org) A Escrita da História. São Paulo: UNESP, 1992.p.86. BOURDIEU, Pierre. A linguagem autorizada. In: A economia das trocas linguísticas: o que falar quer dizer. São Paulo: Edusp, 1996.p.91. BUTLER, Judith. Variações sobre sexo e gênero. Beauvoir, Wihig e Foucault. In: BENHABIB, Seyla; DRUCILLA, Cornell (org). Feminismo como crítica da modernidade. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos: São Paulo: Fundação Carlos Chagas, 1992. CHARTIER, Roger. A História Cultural: entre práticas e representações. Rio de janeiro: Bertrand do Brasil, 1985. CHARTIER, Roger. A ordem dos livros: leitores, autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1999. DUBY, Georges; PERROT, Michelle. História das mulheres no ocidente: o século XX. Porto/ São Paulo: Afrontamentos/Ebradil, 1994. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo, 1998. FORNAZARI, Luciana Rosar. Gênero em revista: imagens modernas de homens e mulheres na revista o Cruzeiro do segundo pós-guerra. Dissertação de Mestrado em História Cultural. Florianópolis, 2001. FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas, uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo, Martins Fontes, 1990. HABERT, Nadine. A década de 70: apogeu e crise da ditadura militar brasileira. São Paulo: Àtica, 1992. HALL, Stuart. A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções culturais do nosso tempo. Educação e Realidade, 22 (2), 15-45, jul./dez,1997. HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. LAQUEUR, Thomas. Da linguagem da carne. Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 2001. LIPOVETSKY, Gilles. A terceira mulher: permanência e revolução do feminismo. São Paulo: Companhia das Letras. 2000. MATOS, Maria Izilda S. de. Outras histórias: as mulheres e estudos de gêneros – percursos e possibilidades. In: Gênero e debate: trajetória e perspectivas da historiografia contemporânea. São Paulo: Educ, 1997.p.98-99. OLIVEIRA, Nucia Alexandra. As páginas de beleza... as representações sobre a beleza feminina na imprensa (1960-1980). Dissertação de Mestrado. Florianópolis, 2001. PEDRO, Joana Maria. Relações de gênero na pesquisa história. Revista Catarinense de História. Florianópolis,n.2.p.35-44, 1994. SAMARA, E. M. Gênero em debate: trajetória e perspectivas na historiografia contemporânea. São Paulo: Educ, 1994. VIEIRA, Rejane Esther. O desnudamento feminino como transformação nos costumes e na Moda nas décadas de 60 e 70 em Florianópolis. Trabalho de Conclusão de Curso. Florianópolis, 2003. Referências 2 ARIÈS, Philippe; DUBY, Georges. História da vida privada: da primeira guerra aos nossos dias. São Paulo: Cia das Letras, 1992. BARREIRO, José Carlos. E. P. Thompson e a historiografia brasileira. Revisões críticas e projeções. Projeto História. São Paulo, 1993. BASSANEZI, Carla. Virando as páginas. Revendo as mulheres: revistas femininas e relações homem-mulher 1945-1964. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. BREMER, Jayme. Jornal do Século XX. São Paulo : Moderna, 1998. BURKE, Peter & PORTER, Roy. Linguagem, indivíduo e sociedade: história social da linguagem. São Paulo: Ed. UNESP/SP, 1993. BURKE, Peter. A arte da conversação. São Paulo: Ed.UNESP/SP,1995. BURKE, Peter.(org) A Escrita da História. São Paulo: UNESP, 1992. BOURDIEU, Pierre. A linguagem autorizada. In: A economia das trocas linguísticas o que falar quer dizer. São Paulo: Edusp, 1996.p.91. BRUSCHINI, Cristina e SORJ, Bila (org). Novos olhares: mulheres e relações de gênero no Brasil. São Paulo: contesxto, 1998. BUTLER, Judith. Variações sobre sexo e gênero. Beauvoir, Wihig e Foucault. In: BENHABIB, Seyla; DRUCILLA, Cornell (org). Feminismo como crítica da modernidade. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos: São Paulo: Fundação Carlos Chagas, 1992. BORBO, Susan. O corpo e a reprodução da feminilidade: apresentações de gênero. Porto Alegre: artes núdicas, 1993.p.28. CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano : artes de fazer. Trad. Ephraim F. Alves. Petrópolis: Vozes, 1994. CHARTIER, Roger. A História Cultural: entre práticas e representações. Rio de janeiro: Bertrand do Brasil, 1985. CHARTIER, Roger. A ordem dos livros: leitores, autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1999. COSTA, A. O e BRUSCHINI, C. Uma questão de gênero. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos; São Paulo: Fundação Carlos Chagas, 1992. DEL PRIORE, Mary. História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 1997. DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Novas subjetividades na pesquisa histórica feminista: uma hermenêutica das diferenças. Estudos Feministas. Vol 2, n.2, 1994. p.373-382. DUBY, Georges; PERROT, Michelle. História das mulheres no ocidente: o século XX. Porto/ São Paulo: Afrontamentos/Ebradil, 1994. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo, 1998. FORNAZARI, Luciana Rosar. Gênero em revista: imagens modernas de homens e mulheres na revista o Cruzeiro do segundo pós-guerra. Dissertação de Mestrado em História Cultural. Florianópolis, 2001. FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas, uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo, Martins Fontes, 1990. FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade. 3 vols. 9ª. Ed. Rio de Janeiro, Graal, 1988. FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Ed. Loyola, 1996. HABERT, Nadine. A década de 70: apogeu e crise da ditadura militar brasileira. São Paulo: Àtica, 1992. FLORES, Maria Bernadete Ramos. A política da beleza- nacionalismo, corpo e sexualidade no projeto de padronização brasileira. In: Diálogos latino Americanos. GRUZINSKI, Sege. O pensamento mestiço. Tradução de Rosa freire d’Aguiar. São Paulo: Companhia das letras, 2001. GOLDBERG, Anette. Feminismo e autoritarismo: a metamorfose de uma utopia de liberação em ideologia liberalizante. Rio de Janeiro: UFRJ, Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais, 1987. HALL, Stuart. Quem precisa de identidade. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org). Identidade e diferença. A perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000.p.103-133. HALL, Stuart. A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções culturais do nosso tempo. Educação e Realidade, 22 (2), 15-45, jul./dez,1997. HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. JAGGAR, Alison M. Bordo, Susan R. Gênero, Corpo, Conhecimento, Rio de janeiro: Rosa dos Tempos, 1997. LUZ, Madel T. O lugar da mulher: estudos sobre a condição feminina na sociedade atual. Rio de Janeiro: Graal, 1982. LAQUEUR, Thomas. Da linguagem da carne. Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 2001. LIPOVETSKY, Gilles. A terceira mulher: permanência e revolução do feminismo. São Paulo: Companhia das Letras. 2000. MATOS, Maria Izilda S. de. Outras histórias: as mulheres e estudos de gêneros – percursos e possibilidades. In: Gênero e debate: trajetória e perspectivas da historiografia contemporânea. São Paulo: Educ, 1997.p.98-99. MORAIS, Maria Lígia Quantim. A imprensa feminista dos anos 70. Araraquara: UNESP, 1990. MOSSUZ-LAVAU, Janine. As mulheres e a sexualidade : novos direitos, novos poderes? In: DUBY, Georges e PERROT, Michelle. As mulheres e a história. Lisboa: Dom Quixote, 1995. OLIVEIRA, Nucia Alexandra. As páginas de beleza... as representações sobre a beleza feminina na imprensa (1960-1980). Dissertação de Mestrado. Florianópolis, 2001. ORLANDI, Eni Pulcinelli. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. Campinas, SP: Pontes, 1987.p.239-243. PARKER, Richard. Corpos e prazeres e paixões: a cultura sexual no Brasil contemporâneo. São Paulo: Ed. Best Seller, 1991. PITANGUY, Jacqueline. O que é feminismo. São Paulo. Brasiliense, 1982. PEDRO, Joana Maria. Mulheres honestas e mulheres faladas: uma questão de classe. Papéis sociais femininos na cidade de desterro. Florianópolis (1880-1920). Florianópolis: UFSC, 1994. PEDRO, Joana Maria. Relações de gênero na pesquisa história. Revista Catarinense de História. Florianópolis,n.2.p.35-44, 1994. PEDRO, Joana Maria. (org) Práticas proibidas práticas costumeiras de aborto e infanticídio no século XX. Florianópolis: Cidade Futura, 2003. SALGADO, Plínio. A mulher no século XX. São Paulo: Guanumby, 1949.1º ed. No Brasil. SAMARA, E. M. Gênero em debate: trajetória e perspectivas na historiografia contemporânea. São Paulo: Educ, 1994. SCHWARCZ, Lilia Moritzz.(org).Contrastes da intimidade contemporânea. História da vida privada no Brasil São Paulo: Cia das Letras, 1998. SCOTT, Joan W. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade. Porto Alegre, vol.15, n.2.p.5-22, jul/dez., 1990. SCOTT, Joan W. Experiência. In: SILVA, A.L. da, LAGO, M.C. de S. RAMOS, T.R.O (orgs) Falas de gênero. Florianópolis: mulheres, 1999.p.203-223. SMITH, Anne- Marie. Um acordo forçado. O consentimento da imprensa à censura no Brasil. Rio de Janeiro. TOSCANO, Moema & Goldenberg, Mirian. A revolução das mulheres: um balanço do feminismo no Brasil. Rio de janeiro: Ed.Rocco, 1994. THÉBAUD, Françoise. O século XX- História das Mulheres. Porto Edições: Afrontamentos; São Paulo: Ebradil, 1995. VAITSMAN, Jeni. Flexíveis e plurais: identidade, casamento e família em circunstâncias pós-modernas. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1994. VIEIRA, Rejane Esther. O desnudamento feminino como transformação nos costumes e na Moda. Trabalho de Conclusão de Curso. Florianópolis, 2003. ZIMBALIST, Rosaldo; LAMPHERE, Michele Louise. A mulher, a cultura, a sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
|
Rejane Esther Vieira
|
Fonte: Article Marketing Brasil
Rejane Esther Vieira
anos+60+70
revolucao+sexual
revista+realidade
imagens+femininas
Este artigo é concedido com Licença
Creative Commons. E' permitida a sua republicação integral,
sem modificaçoes, inclusos os links e as informaçoes sobre
o autor e fonte quando presentes