Certificação E Paranóicos Por Segurança

Você já parou para pensar que a impunidade sustenta os lucros de uma série de serviços que são criados para vender segurança?

As regras de certificação, que exigem a realização de testes para averiguar o grau de segurança no consumo dos produtos ou serviços os tornam mais caros, e este valor é repassado ao consumidor final. Vejamos um exemplo: Os brinquedos nacionais precisam ser certificados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). A certificação é feita lote a lote para quem não tem o selo de qualidade ISO 9001. Mais de 90% dos fabricantes brasileiros não possuem o selo. Cada vez que se certifica um lote, o custo é de R$ 250 por tipo de produto. Empresas que importam ou produzem mais de 100 linhas de brinquedos, algo comum, vão gastar mais de R$ 25 mil por verificação. Este custo vai para o consumidor.

A certificação avalia se os produtos ou serviços são produzidos e comercializados em conformidade com as leis relevantes no que diz respeito à qualidade, saúde e segurança ou impacto ambiental. Mas isso não deveria ser obrigação? Afinal, a lei é de interesse coletivo. Porque o consumidor tem que pagar mais caro, para que empresas de certificação garantam a “honestidade” do que é consumido?

Mais um dilema da insegurança que ronda o brasileiro. Há quem diga que certificação não gera custos, mas o acidente sim! O acidente gera muito mais: perdas irrecuperáveis! Realmente, as perdas são irrecuperáveis. Mas porque a maioria das certificações dos produtos não é gratuita? Afinal, a quem cabe o papel de fiscalizar o cumprimento da lei, às empresas privadas de certificação?

Existem casos de certificação gratuita. Vejamos um exemplo: o Certificado de Produto Brasileiro - CPB , tem por finalidade reconhecer que uma obra audiovisual foi produzida de acordo com as definições de obra audiovisual brasileira. Somente as obras com CPB podem ser exportadas como brasileiras e ainda se beneficiarem dos mecanismos de incentivos fiscais ou fomentos concedidos às obras prontas.          

Medidas como a adoção de campanhas para educação no consumo, também são bem vindas. Mais recentemente, o Inmetro vem atuando na orientação e educação dos consumidores, de forma a torná-los capacitados nas decisões de compra, uso e descarte de produtos, o que implica no exercício da cidadania.

É importante que o consumidor observe se os produtos têm os selos de qualidade impostos pelas normas regulamentadoras, mas também é importante que ele perceba até que ponto isso não o torna paranóico por segurança. Muitas certificações podem ser atrativas para empresas que supervalorizam o preço dos produtos ou serviços.

Conhecer os produtos ou serviços que exigem certificação compulsória, bem como a legislação que normatiza as certificações é uma boa pedida para os paranóicos por segurança, visite o site do Inmetro.

 

Fonte: Article Marketing Brasil

Queirian Sá


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