Planificação E Releitura

Planificação e releitura: duas estratégias importantíssimas à produção de um texto

A aquisição da escrita é um processo bastante complexo que cobra do aluno e professor uma relação de comprometimento e busca por um ideal a partir do que cada um tem a compartilhar. O professor de língua portuguesa além de ensinar a normas da Gramática ainda assume a tarefa de desenvolver e corrigir a produção textual. O professor certamente possuirá maior experiência na leitura e escrita em relação ao seu aluno.

Avaliar é um perguntar-se constante e consciente sempre valorizando a individualidade e conhecimentos do aluno. Tentar ler e interpretar o que o outro escreveu é uma maneira de valorizá-lo, respeitá-lo, penetrando no seu íntimo, apreendendo aquilo em que ele acredita. A essa leitura é que vai se assistindo o aprimoramento lingüístico, da estrutura do texto. Isso significa ler o texto do aluno com os sentidos a ele atribuídos pelo escritor e não imposto pelo professor. Pode também ser importante mostrar ao aluno que o seu texto pode ter diferentes leitores. Isso certamente o fará orgulhoso de seu texto e lhe mostrará a diversidade social e cultural que o rodeia.

Aparentemente, é muito fácil concordar com tudo isso. No entanto, na sala de aula há inúmeras tensões. Os alunos sentem-se pessoalmente atingidos pelas críticas a seus textos, levando-os a uma recusa para discuti-los; muitos professores acham-se melhores escritores do que os alunos. Neste sentido, os alunos consideram-se desprestigiados, não acatados, por vezes, nem sequer ouvidos. Essa assimetria e desigualdade geram conflitos, sendo necessário ajustar expectativas de ambos os lados.                                                 

Não há como negar, a responsabilidade do professor na construção da competência da produção textual do aluno. Ele precisa dispor-se a aceitar o ritmo de trabalho dos alunos, além de desenvolver sua capacidade de tolerância à tarefa, tratando de operacionalizá-la de modo plausível. Depois de predispor-se de trabalhar com o texto escrito o professor precisa pôr em prática o verdadeiro sentido da cidadania. Ler o que o aluno escreveu, respeitar suas idéias, ajudando-o a interagir com a linguagem. Isso significa, certamente, corrigir os erros mais evidentes, mas sobretudo perguntar o que o aluno quis dizer com aquilo que produziu, quais foram as suas intenções ao colocar no papel o texto proposto apesar de desgastante, a tarefa de ensinar a produção textual é intransferível. Em vista disso, deve-se questionar o trabalho que vem sendo feito envolvendo escrituração, desmistificando-o como produto acabado, mostrando que o que está escrito pode e deve ser alterado, criticado; que escrever bem não é escrever difícil, mas escrever com clareza.

Em síntese, a revisão de textos antecede a avaliação feita pelo professor, conforme os parâmetros curriculares nacionais (1997), durante a qual os alunos e o próprio professor se debruçam sobre o texto, buscando ampliá-lo e, ao mesmo tempo, melhorando a sua escrituração. A avaliação deveria ser vista como um processo que proporcionasse conhecimento tanto para o professor como para o aluno. Por isso, se faz necessário que a avaliação seja de forma global e processual, levando-se em consideração o aspecto vivencial do aluno.

Ana Raquel de Freitas


Fonte: Article Marketing Brasil

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