Os Cães E A Caravana

Os cães comem as migalhas que caem da mesa do seu dono, ou ganham migalhas que sobram na mesa dos poderosos. Esta compreensão foi elaborada após muitos anos de meditação na sábia frase constantemente citada por meu ex-adversário, político ilustre de Mato Grosso, ex-governador Júlio Campos.

Enquanto os cães ladram, a caravana passa. Este era o adágio popular preferido por nossos adversários em Mato Grosso, por inspiração do nosso mais ilustre adversário na década de 70.

No tempo da ditadura militar, essas pessoas não eram propriamente os defensores do regime, por convicção ideológica, mas com suas poucas qualidades e desprovidos de ideais libertários, argumentavam que contra a força não há resistência e continuavam apoiando o partido do governo, ARENA, sendo coniventes com os desmandos dos militares.

Nós estávamos do outro lado, engolindo aquela frase “de travessado”, latíamos contra a ditadura; latíamos para denunciar todas as formas de violência praticadas contra a liberdade... E quando não conseguíamos latir, a gente rosnava. Fizemos nosso papel de cão barulhento, ora latindo, ora rosnando.

Quando a discussão envolvia doutrinas ideológicas ou sistemas econômicos, poucos homens que estavam em nossa trincheira de luta eram capazes, naquela época, de fazer um discurso bem elaborado para se contrapor às teorias do liberalismo econômico de Roberto Campos à ditadura, por exemplo. Esse Matogrossense foi o precursor do neo-liberalismo no Brasil.

Então, a verdade é que não conseguíamos fazer um discurso forte, ou seja, não conseguíamos latir em alto e bom som contra a passagem temporária da caravana.

Devido ao nosso despreparo intelectual na época, só conseguíamos ensaiar alguns rosnados, grunhidos, ou trêmulos gemidos quando nossos colegas apanhavam da polícia, ou éramos condenados como preso político e até preso político sem ser condenado.

Mas a caravana passou! Graças aos deuses gregos que criaram a democracia. O povo que protegíamos com os nossos latidos, tem a sensação de participar do poder, escolhendo democraticamente os seus representantes.

Agora os democratas fazem parte da caravana e os latidos estão do outro lado.

Por outro lado, os aristocratas de Platão e Sócrates, no bom sentido, continuam a sua longa espera.

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Marcos Barbosa

Marcos Barbosa

Jornalista,Poeta,Escritor,Produtor de conteúdo para blogs, home page,jornais ou revistas online ...etc.

Marcos Barbosa escreve também no site europeu, netlog: www.netlog.pt/mbs1370
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Fonte: Article Marketing Brasil

Marcos Barbosa - Goiânia - 1987


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