Caso Isabella

Eu não havia escrito uma só linha sobre o assunto no Divã do Masini ou comentado em blogs que gosto.

Não que eu não tenha opinião, pelo contrário, mas porque não gosto de escrever sobre tragédias de comoção popular — muita besteira é dita e se expõe muita gente que pode ser inocente.

No mais, imprensa e programas de fofocas e entretenimento disfarçados do "manto jornalístico" acabam explorando e extrapolando o tema do momento. Uma overdose para o meu gosto — parece que a mídia quer fazer justiça fast, já que a Justiça, aquela dos olhos vendados, é slow.

Mas eis que vejo no Querido Leitor este link (imperdível). Uma entrevista realizada por Marcelo Parada (ex- vice presidente da Bandeirantes) com Guilherme Fiúza, autor do livro que resultou no filme "Meu nome não é Johnny". Fiúza viveu uma situação de exposição à mídia parecida. O filho dele, na época com um mês, caiu do oitavo andar de um prédio no Rio de Janeiro.

Melhor do que ler a minha opinião abaixo é ouvir o link em MP3 acima com a entrevista do Guilherme Fiúza, que tem muito mais a dizer do que eu.

"Independente do final que terá o caso Isabella, a imprensa virou, mais do que nunca, sinônimo de Urubu, aquela que sempre está em cima da podridão. E com ela segue a opinião pública, que fala pelos cotovelos. Uma ressalva é válida aqui: um acidente como ficou caracterizado com o filho do Fiúza não está ligado ou pode ser comparado com um crime (não sei quem fez), como parece ser o caso da garota Isabella.

Lembremos da Escola Base. O primeiro erro grotesco e de proporções astronômicas de cobertura da imprensa.

Já que a imprensa e o gosto popular não tem limites, as autoridades (políciais, delegados, promotores, etc) envolvidas nesse caso e em outros devem ter peito e saber dizer não aos questionamentos da imprensa. Não tenho o que falar, não sei quem é, não vou dar opinião só para fornecer matéria para teu espaço jornalístico. É mais ou menos por aí.

Infelizmente acontece o contrário, elas (autoridades) querem aparecer, assim como o recente caso das garotas americanas que filmaram o espancamento de uma outra garota para colocarem o vídeo na Internet e ficarem famosas.

E ainda pode ser/ficar pior. Nossas universidades vão convidar e pagar uma boa grana para uma palestra dessas autoridades e jornalistas que aumentam a desgraça de tragédias que já deixam marcas por si mesmas". Enquanto isso, os acusados/inocentes tentam reconstruir suas vidas.

PS. Quem não conseguir ouvir a entrevista, clique aqui e leia, no próprio blog do Guilherme, a opinião dele sobre o caso.


Informaçoes sobre o autor

Marcos Masini

Divã do Masini

Marcos Masini é jornalista e escreve diariamente no blog Divã do Masini.

Site: http://www.nossanoite.com.br/divadomasini

Fonte: Article Marketing Brasil

Divã do Masini


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