Acaba de ser divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, World Economic Forum) o “Relatório Global de Tecnologia da Informação 2007-2008”, que estuda as economias que mais conseguem tirar proveito das novas tecnologias para incrementar sua produtividade e competitividade.
O Brasilcaiu seis posições no ranking geral e passou a ocupar a 59ª posição entre os 175 países analisados (estamos caindo desde 2005); na América Latina o melhor colocado é o Chile, que apesar de ter caído três posições, ocupa a 34ª posição; o México é o 58º e a Argentina o 77º.
A Dinamarca segue em primeiro lugar, seguida pela Suécia, Suíça, Estados Unidos e Cingapura – o Chade é novamente o último colocado. Uma grande surpresa foi a Coréia do Sul, que subiu dez posições e está em 9º lugar. Índia (50°) e China (57º) estão relativamente próximos ao Brasil. A Ásia e o Oriente Médio são as regiões que mais têm subido no ranking.
Para nosso país, é um resultado intrigante, pois o ano passado foi excelente para nossas indústrias de computadores e telecomunicações: mais de 10 milhões de PCs foram vendidos e o Brasil ultrapassou a marca de 120 milhões de usuários de telefones celulares; já há alguns anos os internautas brasileiros são os que passam mais tempo conectados à Internet.
Segundo o WEF, há um conjunto de fatores que podem explicar essa situação, sendo os mais importantes de natureza estrutural, como o péssimo nível educacional da população, além de impostos e burocracia muito altos, justiça lenta, dificuldades para a abertura de novos negócios etc.
Cabe uma menção especial à educação, pois a tecnologia somente pode criar competitividade se a população estiver pronta para tirar proveito dela, o que não ocorre no Brasil: na qualidade do ensino de matemática e ciências estamos na 114ª posição e em termos de qualidade do sistema educacional como um todo, na 117ª.
Em algumas áreas, o país é bem sucedido, como em termos de sofisticação do mercado financeiro, por exemplo, em que o Brasil está em 31º lugar. O país também se destaca (27ª posição) no uso de tecnologia pelo setor público. Porém, quando se discute os impostos sobre o setor de TI e seus efeitos sobre o mercado, vamos para a última posição no ranking (127º).
Outros fatores que podem ajudar a explicar a situação, talvez, sejam os de natureza setorial/regional: no mesmo Brasil que é referência em serviços relativos ao Imposto de Renda e eleições eletrônicas, apenas 17% dos domicílios têm acesso à internet, 47% da população nunca usou um computador e 59% nunca acessou a Internet.
Enquanto 30% e 31% dos domicílios das regiões Sudeste e Sul, respectivamente, têm computadores, apenas 13% das famílias do Norte possuem o equipamento. No Nordeste, o índice cai para 11%.
Concluindo, vale refletir acerca das palavras da economista Irene Mia, que coordenou a elaboração do estudo: "A tecnologia sozinha não traz competitividade a uma economia; tudo depende do ambiente em que ela é usada. Há certos avanços no Brasil, mas a realidade é que outros países estão avançando de forma mais rápida. Isso deveria ser um motivo para o Brasil parar e pensar por que isso está ocorrendo - não se pode ficar parado quando o assunto é tecnologia."
Informaçoes sobre
o autor
Vivaldo José Breternitz
Profissional oriundo da área de Informática atuou em empresas de grande porte (Prodesp, Prodam, Banespa etc.). Mestre em Engenharia, doutorando em Administração (FEA/USP), é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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