Computadores Nas Escolas Públicas
Quase todos acreditamos que o uso de computadores nas escolas beneficia os alunos. Essa crença tem fomentado a adoção, por todos os níveis de governo, de políticas estimulando o uso dessas máquinas, no que é chamado de processo de inclusão digital.
No entanto, estudos concluídos recentemente por pesquisadores da Unicamp indicam que essas políticas podem estar gravemente equivocadas, ao mostrarem que o uso de computadores para fazer tarefas escolares está relacionado ao pior desempenho dos alunos, especialmente entre os mais pobres e mais jovens.
Os pesquisadores que coordenaram o trabalho, Jacques Wainer e Tom Dwyer afirmam terem constatado que, entre alunos da mesma classe social, os que sempre usam o computador para elaboração das tarefas têm pior desempenho.
Estudos anteriores apontavam para o fato de que alunos que tinham computadores em casa apresentavam melhor desempenho, mas na realidade parece que esse melhor desempenho derivava do fato desses alunos pertencerem a famílias com melhor situação financeira, o que implicava em uma melhor performance por razões de acesso a outras fontes de informação, apoio dos pais etc., e não simplesmente por utilizarem computadores.
A pesquisa de Wainer e Dwyer, para evitar essas distorções, considerou os alunos dentro de suas classes sociais e focou-se no uso da máquina para elaboração de tarefas, tendo constatado que em todas as classes sociais os alunos que usam o computador têm desempenho pior em Português e Matemática do que aqueles que nunca o utilizam para suas tarefas, sendo essa diferença agravada entre os alunos mais pobres.
Não existem dados que expliquem as razões desse fenômeno, mas a pesquisa deve alertar aqueles que formulam políticas públicas, especialmente em termos de instalação de computadores em escolas e distribuição dessas máquinas aos alunos.
É preciso entender melhor o fenômeno do impacto dos computadores no desempenho dos alunos antes de defender a simples distribuição de tais equipamentos, especialmente se considerarmos os custos envolvidos e a crônica escassez de recursos para a educação.
Temos observado que escolas recebem computadores e seus professores simplesmente não têm nenhum conhecimento acerca de como utilizá-los, além de não ser disponibilizado software educacional para utilização na escola, o que com freqüência transforma o computador num simples videogame, máquina de escrever ou ferramenta para acesso a sites do tipo Orkut (ou coisa pior), sem qualquer benefício real para o aluno.
Acreditamos que esses estudos devem servir como sinal de alerta, especialmente em função de nossa tendência de “seguir a boiada”, enquanto educadores e formuladores de políticas públicas; simplesmente tendemos a seguir o que está na moda e distribuir computadores está na moda.
A reflexão pode impedir que causemos ainda mais problemas às camadas mais humildes e indefesas de nossa população e que desperdicemos dinheiro público.
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Vivaldo José Breternitz Profissional oriundo da área de Informática atuou em empresas de grande porte (Prodesp, Prodam, Banespa etc.). Mestre em Engenharia, doutorando em Administração (FEA/USP), é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie. |
Fonte: Article Marketing Brasil
Vivaldo José Breternitz
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