Co-geração De Energia Elétrica Através De Resíduos De Pinus Na Empresa Rohden Artefatos De Madeira

 

RESUMO

 

Na atualidade a biomassa energética participa marginalmente da oferta de energia elétrica no Brasil, contudo condicionantes econômicos, tecnológicos e institucionais apontam para o incremento desta participação. Seja em unidades de co-geração no contexto industrial, empregando bagaço, lenha e lixívia celulótica, seja em unidades do serviço público, desde pequenos grupos gaseificadores até unidades com capacidade de dezenas de megawatts. O presente trabalho busca apresentar informações gerais sobre a geração de energia através da queima contínua de cavaco de pinus, neste caso utiliza-se uma caldeira aquatubular, que é uma caldeira com paredes d'água verticais para circulação de água naturalmente, construídas em painéis "membranados" com tubos e filetes de aço. Na situação atual a empresa possui um processo produtivo continuo, com condições para aumento da capacidade produtiva, o consumo de energia hoje é de 2100KW/H, isto com a empresa totalmente em produção,  sendo assim a Rohden é considerada auto suficiente em energia elétrica e combustível.  Esta termoelétrica industrial tem como função a produção de energia tornando a empresa auto suficiente em energia elétrica, e ao mesmo tempo gerando vapor para a secagem de madeira que entrara no processo produtivo. Como conclusão são apresentados  análises dos aspectos ambientais e dados técnicos como também  econômicos  do uso racional de cavaco de pinus para geração de energia elétrica. 

Palavras-chave: biomassa energética, processo produtivo contínuo. 

  

Embora a biomassa tenha sido o primeiro vetor energético empregado pela humanidade e ainda seja uma forma energética de importância, a produção de eletricidade a partir da biomassa é restrita. A indústria da energia elétrica surgiu apenas no final do século passado. No período quando o carvão mineral iniciava seu domínio. Ao longo dos anos os sistemas elétricos tornaram-se cada vez mais centralizados, especialmente no que concerne à geração. Induzindo o emprego de combustíveis fósseis de alta densidade energética e o incremento das capacidades unitárias das centrais. Até recentemente grandes centrais de produção de eletricidade justificavam-se dado: I - o caráter determinante sobre os custos da geração do fator de escala; II – a inexistência de restrições maiores com relação aos impactos ambientais; III – em função também do próprio modelo de organização empresarial que imperou no setor durante anos.

Entretanto, a partir do final da segunda metade dos anos 70 o setor elétrico entrou em uma nova fase em vários países. A elevação dos custos de geração de energia elétrica segundo tecnologias convencionais por questões tecnológicas e ambientais e o processo recessivo nos países industrializados associados aos sucessivos choques do petróleo aceleravam as reformas institucionais do setor. Estas reformas eminentemente de caráter descentralizador levaram à definição de um maior espaço para a co-geração à produção elétrica em pequena escala ao uso mais intensivo de fontes energéticas renováveis e à produção independente das concessionárias.

As principais características desse novo padrão de expansão do setor elétrico podem ser identificadas nas pressões sociais com vistas à minimização dos impactos ambientais na necessidade de uso mais racional dos insumos energéticos e no crescente questionamento do papel exercido pelos estados no aprovisionamento da infra-estrutura. Tais câmbios são favoráveis ao aumento da participação da biomassa na geração de energia elétrica.

Mais recentemente a produção de energia elétrica a partir da biomassa tem sido defendida também como uma importante opção para os países em desenvolvimento (Willians & Larson 1992) e mesmo para os países da União Européia (Grassi 1993). A questão ambiental dada a necessidade de minimização das emissões globais de dióxido de carbono é o ponto comum de ambas propostas. No caso dos países em desenvolvimento a crise econômico-financeira do setor elétrico e a necessidade de empréstimos internacionais para

viabilizar a construção de novas obras são colocadas como razões particulares. Para o caso europeu uma particularidade destacada é a significativa dependência dos países comunitários quanto ao abastecimento de fontes energéticas fósseis em sua maior parte importada.

Em condições favoráveis a biomassa pode contribuir significativamente para com a produção de energia elétrica. Hall (1991) estima que com a recuperação de um terço dos resíduos disponíveis seria possível o atendimento de 10% do consumo elétrico mundial e que com um programa de plantio de cem milhões de hectares de cultura especialmente para esta atividade seria possível atender 30% do consumo. Considerando a adoção de novas tecnologias estima-se que as centrais a biomassa, até meados do próximo século, poderão apresentar uma capacidade instalada similar à de origem nuclear e hidráulica (MPS 1993).

Como um exemplo das perspectivas de expansão da geração elétrica com biomassa, podem ser citadas as metas de médio e longo prazos do departamento de energia dos EUA. Para o ano de 2030 prevê-se 100 Gwe, o que hoje tem-se aproximadamente 15 Gwe.

Neste trabalho serão discutidas na geração de energia elétrica a eficiência de combustão, geração de vapor e pressão da caldeira, através da queima do combustível de pinus, sendo na forma de cavaco, serragem, casca picada com alta concentração de umidade, como também resíduos da unidade fabril com umidade em torno de 3 a 8%, sendo esse material todo picado e depositado em um silo, onde o mesmo é misturado gradativamente.

 
 
1.1 OBJETIVOS

A determinação dos objetivos é uma decisão importante, apesar de sua aparente simplicidade na formulação, podem ser responsáveis por sucessos ou fracassos no estudo. Os objetivos são o passo inicial de um trabalho acadêmico.

      “A formulação dos objetivos significa definir com precisão o que se visa com o trabalho sobre dois aspectos: geral e específico” (LAKATOS; MARCONI, 2001, p. 246)

 
 
1.1.1 Objetivo Geral

Consiste em descrever os procedimentos de viabilidade econômica e técnica do processo de geração de energia elétrica através de combustíveis madeiráveis, mais precisamente de madeira residual de pinus.

 
 
1.1.2 Objetivos Específicos

 
 
1.2 JUSTIFICATIVA

A realização desse trabalho é uma forma de aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo dos cinco anos de academia, além de ser uma exigência da Universidade para a conclusão do Curso de Engenharia Florestal. 

O autor deste Trabalho de Conclusão de Curso trabalha no setor de meio ambiente da Secretaria Regional de Blumenau, que é uma secretaria do governo do estado de Santa Catarina, que busca atender as necessidades da comunidade na região de Blumenau. Sendo um profissional da área relativa ao meio ambiente, e por perceber que existem carências neste estado com implantações de sistemas de geração própria de energia elétrica através de biomassa, como também a perceber a grande oferta desta mesma, principalmente resíduos de pinus, é que foi decidido realizar um trabalho com esse tema. Acreditamos que entendendo na prática como funciona a implantação, ajudará muitas empresas a se interessarem pelo sistemas de geração própria de energia elétrica, isso irá alavancar um grande nicho de mercado, sendo de extrema importância para o nosso estado, como também para o Brasil, apesar de hoje o país já ser auto-suficiente em termos de energia elétrica. 

Este tema também foi escolhido pelo motivo de se dar um destino adequado aos resíduios florestais que muitas vezes são abandonados em margens de rios ou jogados em grande quantidade na natureza, pois o mesmo deve estar de acordo com o meio ambiente, como também com as entidades defensoras ao mesmo, por fim, a intenção deste trabalho é dar um destino ambientalmente correto aos resíduos de biomassa, gerando renda e trabalho para as empresas ou sociedade.

 
2 CO-GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA: REVISÃO DE LITERATURA

Todo processo de implantação de um sistema de geração de energia elétrica é precedido por um profundo estudo da melhor combinação de tecnologias e soluções que promovam a redução dos custos finais envolvidos na execução física do projeto. Conseqüentemente tem que ser avaliado alternativas de aproveitamento de equipamentos existentes e alterações nas condições de processo.

 
 
2.1 ENERGIA ELETRICA

          
 
2.2 MADEIRA COMO FONTE DE ENERGIA

Energia elétrica é uma forma de energia baseada na geração de diferenças de potencial elétrico entre dois pontos, que permitem estabelecer uma corrente elétrica entre ambos. Mediante a transformação adequada é possível obter energias finais de uso direto, em forma de luz, movimento ou calor, segundo os elementos de transformação que se empreguem.

A energia elétrica apenas existe de maneira aproveitável na Natureza, sendo o exemplo mais habitual de sua presença natural as tempestades elétricas. Ao mesmo tempo, tampouco é de utilidade direta para o ser humano, salvo em aplicações muito particulares, como o uso de correntes em fisioterapia. Entretanto, é uma das principais energias devido fundamentalmente à facilidade para transportá-la, convertê-la em outras formas de energia e produzi-la também a partir de outras fontes de energia.

A geração de energia elétrica se leva a cabo mediante diferentes tecnologias. As principais aproveitam um movimento rotatório para gerar corrente alternada em um alternador. O movimento rotatório pode provir de uma fonte de energia mecânica direta, como a corrente de uma queda d'água ou o vento, ou de um ciclo termodinâmico. Em um ciclo termodinâmico se esquenta um fluido e se consegue com que realize um circuito no qual move um motor ou uma turbina. O calor deste processo se obtém mediante a queima de combustíveis fósseis, as reações nucleares ou outros processos.

A geração de energia elétrica é uma atividade humana básica já que está diretamente relacionada com os requerimentos primários do homem. Todas as formas de utilização das fontes de energia, tanto as convencionais como as denominadas alternativas ou não convencionais, agridem em maior ou menor medida o nosso meio ambiente.

A incidência média da radiação solar representa cerca de 750 W/m2 nos trópicos, valor este que é de 30%, aproximadamente, acima daquele que se observa nas regiões temperadas. Essa energia apresenta-se em forma difusa e sua utilização requer que ela seja concentrada.

A fotossíntese é uma fonte de concentração e acumulação de energia solar, embora seu rendimento seja baixo, inferior a 2%, alguns fatores favorecem o seu uso no Brasil, tais como alto índice solarimétrico e grande extensão territorial.

Já existe, uma certa tradição no emprego dos recursos renováveis no Brasil, onde a lenha, o bagaço de cana e o carvão vegetal  contribuem com cerca de 30% do consumo energético nacional.

A própria utilização atual das florestas brasileiras, nativas ou cultivadas, tem um componente não industrial representado pelo uso da madeira como combustível doméstico, não se sabendo quantificá-lo com exatidão. De modo geral, as florestas cultivadas no Brasil tem sido exploradas para a produção de celulose e carvão.

A grande maioria dos combustíveis, excetuando os nucleares, depende do efeito térmico resultante da combustão do carbono e hidrogênio que eles contém. Na ausência da umidade, carvão mineral, carvão vegetal óleo ou gás natural se constituem em quase exclusivamente de carbono (85-87%) e hidrogênio (11-13%). A presença de oxigênio no lignito, turfa e madeira oferece a desvantagem de diminuir seu valor como combustível.

As formas mais comuns de energia fotossintética são obtidas da madeira e carvão, outras formas menos comuns são os líquidos e gases obtidos da madeira ou carvão nos processos de destilação seca, hidrólise ácida e gaseificação.

Um conhecimento do potencial e versatilidade da madeira como fonte de combustível é um pré-requisito indispensável à análise econômica dos projetos que envolvam a conversão ou utilização da floresta para a produção de energia.

O modo mais prático e mais fácil de se produzir energia da biomassa é através da combustão da própria madeira ou de seus rejeitos. Esta madeira possui a vantagem de ter baixo teor de cinzas e quantidade íntima de enxofre, além é claro de ser um recurso renovável, ao qual gera rentabilidade social e fixação do homem no campo.

 
 
2.3 A BIOMASSA FLORESTAL NA GERAÇÃO DE ENERGIA

A biomassa floretal (resíduos de serraria), é o potencial mais promissor no momento, por ser fonte alternativa e  renovável de energia estando disponível localmente. O resíduo constitui um problema ambiental a ser adequadamente solucionado, a sua utilização para co-geração de energia (elétrica e térmica) é conveniente e necessária para o segmento das serrarias e para a sociedade em geral, contribui para a diminuição da concentração do CO2 na atmosfera, se baseada em um sistema de produção florestal sustentada, gerará muitos empregos locais e regionais, entre outros(Lima, 2000).

Lima (2000), avaliando o potencial e a equivalência energética destes resíduos, enfatiza que os resultados corroboram com a necessidade, a pertinência e a importância de uma discussão sobre a utilização destes para a produção de energia e, para a realização de um verdadeiro exercício de planejamento energético regional e da democracia sócio-ambiental para a sociedade. Segundo Lima, o conteúdo energético estimado dos resíduos disponíveis (resíduos das serrarias e da colheita florestal), com teor de umidade de 15%, seco ao ar livre, é da ordem de 462 mil Gcal ano-1 e, que os equivalentes energéticos anuais correspondem a 46,2 mil toneladas de óleo combustível ou a 147,5 mil MWh de energia elétrica. Cita ainda, que a utilização destes resíduos para a geração de energia colocará, em definitivo, qualquer localidade ou município  no cenário mundial do desenvolvimento sustentável, (Lima, 2000).

 

 3 METODOLOGIA

Quando o homem começou a interrogar-se a respeito dos fatos do mundo exterior, na cultura e na natureza, surgiu a necessidade de uma metodologia de pesquisa científica. Na conceituação empregada por Andrade (1995, p. 103) “Metodologia é o conjunto de métodos ou caminhos que são percorridos na busca do conhecimento”.

É de fundamental importância utilizar os métodos de pesquisa para desenvolver o trabalho de conclusão de curso. Sendo que é uma forma mais agradável e eficaz para adquirir o tão desejado conhecimento em uma determinada área. É relevante também levantar dados e informações, obtidos através da leitura de livros e pesquisas na Internet, para servirem de auxílio, proporcionando maior segurança para defender o projeto.

As técnicas da pesquisa estão relacionadas com a coleta de dados, ou seja, a parte prática da pesquisa. Segundo Andrade (1995, p. 109) “Técnica significa os diversos procedimentos ou a utilização de diversos recursos peculiares a cada objeto de pesquisa, dentro das diversas etapas do método”. Portanto, o método constitui um procedimento geral, enquanto técnica abrange procedimentos específicos.

Este trabalho utiliza as técnicas de um estudo de caso, por ser considerado um dos vários modos de realizar uma pesquisa sólida.

O estudo de caso auxiliado pela pesquisa bibliográfica proporciona um melhor entendimento do assunto em convergência, bem como o aprofundamento do projeto em estudo.

Considerando como a forma mais eficaz na obtenção dos resultados, a pesquisa será minuciosamente desenvolvida conforme a seguir:

A metodologia aqui implantada associada à comunicação eficaz entre o estagiário e o professor orientador, são um conjunto fundamental para o sucesso do projeto, tornando possível alcançar os objetivos geral e específicos, afim de ter um conhecimento específico relacionado aos sistemas de geração de energia elétrica através de biomassa.

 
 
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

No andamento deste estudo primeiramente houve um aprofundamento do conhecimento sobre geração de energia elétrica com biomassa através de pesquisa bibliográfica. (Conforme definição de Gil (2002, p. 44) “Pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”, e também através de fontes secundárias, “Fontes secundárias constituem-se da literatura a respeito de fontes primárias, isto é, de obras que interpretam e analisam fontes primárias” (ANDRADE, 1995, p. 37). Embora existam muitas bibliografias relacionadas a geração de energia elétrica através de biomassa, há uma carência muito grande por livros atualizados sendo que, nesta área podemos considerar desatualizada uma bibliografia de cinco anos atrás.

Após todo o embasamento teórico, nesta fase o estudo foi caracterizado pela observação direta dos procedimentos operacionais do sistema completo em funcionamento da empresa de Artefatos Rohden .

 
 
3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA

O presente estudo foi realizado na empresa Rohden Artefatos de Madeira Ltda. A amostra se constitui de casos práticos que foram observados e vivenciados durante o período de estágio.

 
 
3.3 COLETA DE DADOS

O trabalho foi desenvolvido através de observação direta das ações dos operadores no sistema de geração da empresa.

Primeiramente foi realizado o acompanhamento na empresa Rohden Artefatos para poder visualizar a logística empregada na empresa, como também a distribuição de energia e vapor. Em uma segunda etapa foram vivenciados esses mesmos procedimentos apenas no sistema de coleta de material para queima, nesta etapa pode-se visualizar com clareza de onde vem o material antes mesmo de ser misturado e utilizado como combustível. Na terceira etapa foi analisado a caldeira como um todo, desde o sistema de bombeamento de água, lagoa de coleta de água, inclusive o ciclo existente desta água, ou seja, esta mesma água é utilizada para resfriamento do gerador, e retorna para lagoa, não podendo exceder os 40 graus centígrados, em média fica em 38 graus centígrados. Na quarta etapa foi estudado o sistema operacional do sistema por completo, sendo este feito na cabine de comando, tudo é comandado por um sistema operacional computadorizado, como também por um circuito interno de tv, que permite aos operadores visualizarem de dentro da sala de comando se existe alguma anomalia em pontos estratégicos da parte de alimentação da caldeira (este sistema não grava, apenas permite o monitoramento instantâneo.

Para que pudesse ser dado em andamento o estágio, foi efetuado coletas de combustível em diferentes pontos do pátio, sendo que essa coleta foi executada de dois em dois dias, durante o período de duas semanas, e separadas em recipientes adequados para que não se perdesse a essência daquilo que se quer analizar, ou  seja, umidade e condicionantes químicos presentes na madeira.

 
 
3.4 TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS

As ferramentas utilizadas na coleta de dados foram desenvolvidas de forma eficaz a fim de garantir nesta etapa uma correta inspeção dos dados coletados. Foram adquiridas informações precisas em relação a análise da biomassa empregada como combustível na caldeira, sendo como principal a umidade,  de forma precisa também foi analizado quantidade dos resíduos utilizados, evitando assim qualquer informação incorreta que possa ser exposta no relatório final do trabalho de pesquisa.

 
4 RESÍDUOS DE BIOMASSA DE PINUS UTILIZADOS PELA EMPRESA: RESULTADOS DO ESTUDO DE CASO

A seguir descrevemos o resultado do nosso estudo de caso dos resíduos utilizados pela empresa Rohden Artefatos de Madeira LTDA, como combustível para co-geração de energia.

Lembramos que nosso estudo foi especificado para utilização de resíduos de pinus, em sua grande maioria Pinus elliotti, sendo esses armazenados ao ar livre (provenientes da filial em Pouso Redondo), armazenados no silo central (centraliza todos os resíduos da empresa), resíduos da serraria, resíduos de serragem, como também resíduos picados da unidade industrial.

 
 
4.1 CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS ESTUDADOS

Ao se desdobrar uma tora de madeira, a geração de resíduos é inevitável, sendo que o volume e tipos de pedaços e/ou fragmentos gerados, são dependentes de vários fatores. Como exemplo destes fatores, destacam-se o diâmetro das toras e o uso final das peças serradas. Considerando uma tora cilíndrica, e desejando-se retirar apenas um bloco central, o rendimento corresponderia a 63,66% apenas. De modo geral, os resíduos gerados em uma cadeia produtiva de serrados constituem-se de 7 % de casca, 10 % de serragem e 28 % de pedaços, isto sem considerar as perdas na extração da madeira. Desta forma pode-se imaginar a quantidade de resíduos que estão disponibilizados para este sistema, isso sem contar as sobras do processo de produção, que são de um volume bastante considerável.

Neste caso, a maior parte das horas do estágio foram realizadas na obtenção de coleta de dados dos resíduos, em diversas partes da empresa onde se encontravam os mesmos. Estes resíduos de madeira de pinus são gerados em diversos setores da empresa, sendo um deles a serraria, onde as toras que entram são desdobradas, e conseqüentemente é onde se tem um maior número de restos de madeira, como cascas, serragem e maravalha, as cascas logo que são desdobradas automaticamente seguem por uma esteira para serem picadas, e imediatamente conduzidas ao silo central. Este silo central armazena toda serragem, casca picada e restos industriais picados, que dali vão alimentar a caldeira.

 
 
4.2 RESULTADOS DAS MEDIÇÕES DE CONSUMO DA CALDEIRA

Desde o início do estágio buscou-se aperfeiçoar o aprendizado de forma prática, onde os processos produtivos devem ser vivenciados e exercitados, desta forma foi dado início a um acompanhamento do sistema da queima do combustível utilizado, isso aliado a geração de vapor que a caldeira pode proporcionar, paralelamente da forma que é alimentada.

Da mesma forma que era preciso medir quanto a caldeira consumia, também era necessário medir o quanto pesa o cavaco de pinus, sendo assim foi pega uma amostra de 1 metro cúbico de cavaco, e executado a pesagem na balança da própria empresa, este procedimento foi executado três vezes, os pesos se equipararam, e a média foi de 337,5 kg/m3, com este procedimento ficou mais fácil executar as medições posteriores.

Com o decorrer do processo, executou-se uma medição precisa do consumo de alimentação da caldeira, para esta medição foi necessário a ajuda do programa, que forneceu a vazão de vapor da caldeira de dois em dois minutos aproximadamente. Nesta medição também foi utilizado uma moega com capacidade para 10 metros cúbicos de cavaco, que neste caso, alimentou a caldeira num sistema externo, ou seja, desviando da alimentação do silo, permitindo visualizar com precisão a entrada de cavaco. Esta medição foi executada em três  etapas distintas, uma com a empresa totalmente em produção, outra com a empresa sem produção nenhuma (esta executada no domingo a tarde), e a última com a empresa em média produção.

Na primeira etapa foi pego o momento de pico de produtividade da empresa, onde todas as máquinas e funcionários estavam exercendo suas funções, foi executado às 10:24, estendendo-se até às 10:53, neste período a caldeira consumiu os 10 m3 de cavaco, e a geração média de vapor foi de 19,57 toneladas/hora, sendo necessário 20,68 m3 de cavaco para uma hora. Já na segunda etapa, foi executado o mesmo processo, diferenciando-se apenas a produção da empresa, que desta vez é zero, a caldeira consumiu em 46 minutos os 10 metros cúbicos, sendo que a média das medições é de 11,98 toneladas/hora de vapor e sendo necessário 13 m3 de cavaco para uma hora, deve-se salientar que neste caso apenas o que tinha funcionamento na empresa eram as estufas de secagem. Na terceira e última etapa, o momento de produtividade da empresa era o que quase sempre se estabelecia, foi medido uma média de 17,5 toneladas/hora de vapor e consumido exatamente 15 m3 de cavaco por hora.

Com esses dados pode-se estimar o consumo da caldeira caso esta estivesse com sua produção total, esta de 25 toneladas/hora de vapor, e gerando consequentemente 3,0 MWH de energia elétrica, neste caso a estimativa é de 26,78 m3 de cavaco por hora.

Também foram estimados através de medições seguras o consumo de cavaco que a caldeira necessita no caso da empresa Rohden artefatos. Foi medido a quantidade que a empresa consome de cavaco durante o período de 24 horas, em dia normal de operação da indústria, que é em torno de 15 m3 de cavaco/hora, contando dia e noite, em 24 horas seriam 360 mst cavaco/dia e durante o mês 10.800 m3 cavaco/mês, convertendo para quantidade em peso, que é de 337,5 kg por metro cúbico, é necessário 3.645 toneladas de cavaco por mês para alimentar a caldeira na situação atual da empresa. 
 

  
4.3 RESULTADOS DA UMIDADE NOS RESÍDUOS

Após a coleta que foi executada na empresa, onde estes resíduos foram armazenados em recipientes isolados, foi executado uma análise de umidade em cada amostra, sendo que estas estavam separadas por cavaco do silo, cavaco ao ar livre - filial, cavaco da serraria, serragem e cavaco da produção. Além destes variedades foi executado amostragem em quatro diferentes dias, para que se possa ter um resultado satisfatório. No processo de análise, em cada amostra foi executado dupla análise, diminuindo assim as possibilidades de  erros. Segue abaixo os gráficos obtidos através da análise de umidade em cada dia em que foi executado a coleta.

No decorrer das medições verificou-se um equívoco no valor da umidade da terceira amostra, do cavaco da serraria, efetuado no dia 08/07/2005, sendo que neste caso foi desconsiderado o valor do mesmo.

Como resultado final foi obtido uma média de todos os dias, amostrado no próximo gráfico. Entre os dias em que foi realizada a coleta houve dias chuvosos como também com  predomínio de sol. 

Pode-se analisar como o cavaco do silo é levemente menos úmido do que o cavaco ao ar livre, isso se dá pelo motivo de um estar coberto e outro sem cobertura, também o cavaco provindo da unidade fabril possui um baixo teor de umidade, pois este já passou por todo o processo de secagem.

O cavaco da serraria se mantém com alto índice de umidade, pois provém de toras armazenadas no pátio de estocagem, onde recebem constantemente banhos de água para evitar a atuação de fungos que podem danificar a madeira. Já a serragem, que por ser menos sólida, perde umidade mais facilmente, ainda mais no município de Salete, onde o índice de umidade relativa do ar é considerado baixo, o que ocasiona uma evaporação mais intensa da serragem, proporcionando uma baixa umidade.

 
5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Durante o decorrer deste trabalho foi apresentada uma introdução à técnica de co-geração de energia elétrica através da queima de resíduos de pinus. Esta técnica vem tornando-se cada vez mais freqüente principalmente em empresas que produzem seu próprio combustível e que vêm nisto uma maneira de reduzir custos.

O Brasil está no caminho do desenvolvimento, e por isso a geração de energia elétrica precisa ser visto como uma chave do desenvolvimento de novas tecnologias.  A co-geração de energia,deve ter como objetivo não só mais aauto sustentabilidade da empresa, mas também geração de riqueza e renda para sociedade que direta ou indiretamente está ligada ao sistema, propiciando melhor qualidade de vida. 

Pode ser observado na empresa pesquisada que determinadas rotinas e práticas, não são abordadas na literatura de co-geração de energia elétrica, como por exemplo as variações de umidade do resíduo utilizado para queima, ocorridos na prática,que citamos nos resultados desse trabalho. Isso acontece pelo motivo de se lidar com diversas formas de armazenamento do produto, desde a casca de pinus, vindo diretamente da serraria, onde a tora encontrava-se num pátio de espera, sendo umedecida periodicamente até os resíduos da unidade fabril, onde o cavaco vem com média de 3 a 8% de umidade. Isso torna o processo menos homogêneo, exigindo um maior acompanhamento do processo de produção de energia.

Ao acompanhar os procedimentos de operação da caldeira, percebemos que apesar do sistema ser pré-automático, necessita da operação de pelo menos dois colaboradores constantemente, o que garante um bom funcionamento do sistema, já que o mesmo não pode parar, o que ocasionaria a queda de energia na empresa, sendo que assim deve-se acionar a energia da concessionária, não se tornando viável para mesma.

Quanto a queima de combustível, sabemos e concordamos que este procedimento é muito importante, a fim de garantir um bom funcionamento do sistema, este deve ser ininterrupto, é acionado de forma automática, através de sensores capacitivos instalados na caldeira. Sendo assim deve-se ter um produto de qualidade, sem a presença de metais e outros agravantes que possam causar distúrbios indesejados na queima do combustível. Afirmamos isso ao observar a presença de sensores de metais na esteira principal de alimentação, como também câmeras de vigilância instaladas em pontos estratégicos para detecção de possíveis agravantes. 

Durante o estágio, foram acompanhados alguns casos especiais em que a queima do combustível se dava por incompleta, ou seja, gerava muito carvão, esses carvões retornam para caldeira para requeima, e também foi analisado a geração de fuligem que eventualmente são despejados pela chaminé, neste sentido a empresa busca alternativas para solução do problema, para este caso já foram contratadas empresas que estudam a sua eliminação, já foi instalado multiciclones e modificado a saída da chaminé, o que amenizou, mas não resolveu por completo, sendo que a mesma se preocupa com a qualidade do ar como também precisa conter essas fuligens que podem ser prejudiciais as populações vizinhas.

A co-geração de energia elétrica faz parte de um grande avanço para a melhoria doqualidade de vida da população, hoje falar de energia elétrica é falar de bem estar populacional. Uma empresa com sistema próprio de energia elétrica, possui um maior poder de competitividade do que as outras, pelo fato de ser auto-suficiente e não depender infinitamente da concessionária, que muitas vezes não oferece tantas garantias como deveria, além é claro, do custo desse fornecimento, que quase sempre é exorbitante. Este custo a menos pode ser repassado aos colaboradores da empresa, que vai beneficiar não só eles, mas os familiares como também as pessoas que estão indiretamente ligadas a empresa. São nesses casos que a administração pública deveria intervir, a fim de incentivar e fomentar com maior eficiência a geração própria de energia, como também evitar essa exploração sobre as concessionárias de energia elétrica. Com tudo isso seria necessário o plantio de novas áreas de reflorestamento, para que se pudesse garantir o combustível necessário, sendo assim o Brasil seria um pais auto suficiente em energia, como também com uma produção ilastimável de matéria prima(madeira), e com alto índice de qualidade de vida populacional.

O pesquisador foi muito feliz na escolha do tema para a realização de seu Trabalho de Relatório de Estágio, pois além de atingir seus objetivos, os superou, pois teve todo um conhecimento de como funciona o sistema por completo, não só a queima do combustível, mas também a caldeira, o turbo-gerador, o sistema operacional e a logística empregada para captação dos resíduos de madeira.Este aprendizado com certeza enriqueceu muito tudo o que foi visto durante a faculdade, bem como o que já se conhecia pela prática da profissão.

Na execução desse trabalho pode-se ter oportunidade de compreender a importancia do sistema logistico como um todo para o bom andamento da empresa, sendo que esta depende constantemente de energia. Percebendo assim o inexoravel aprendizado promovido durante todo o processo de formulação e compreensão dos dados apresentados dessa organização analisada

 
 
5.1 EXTENSÕES

Com extensão a este trabalho sugere-se um estudo para se realizar algumas mudanças no sistema, sendo elas:

 

 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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TGM Turbinas,  Micro Centrais Termoelétricas,  disponível em  www.tgmturbinas.com.br ; acessado em 19/04/2006  

ONOFRE, Reginaldo de  Mattos. Controle e Eficiência da Combustão, artigo não publicado  

FERREIRA, Quirino Waldir. Utilização Energética de Resíduos vegetais, Laboratório de Produtos Florestais LPF/IBAMA. 

ENGECASS, Sistema para Co-geração de Energia Térmica e Elétrica, disponível em www.engecass.com.br ; acessado em 12/03/2006. 

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LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2001. 

MENDES, Lourival Manin; RABELO, Giovanni Francisco; TRUGILHO, Paulo Fernando; MORI, Fábio Akira. Energia a partir de resíduos florestais.  Universidade Federal de Lavras Departamento de Ciências Florestais, REVISTA DA MADEIRA nº 85 - Novembro de 2004. 

ELECTRO, Eduardo Silva Lora; Geração Termelétrica; planejamento, projeto e operação; VOL 2.

Informaçoes sobre o autor

james.eng.florestal

James Peixer

James Peixer - Engenheiro Florestal graduado na Furb, pós graduando em Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Fonte: Article Marketing Brasil

James Peixer


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