Ser Alguém: Um Sonho Distante

A falta de investimentos na educação, por parte do governo, mostra o desinteresse no desenvolvimento do país e a despreocupação com os cidadãos do futuro.

As crianças e os jovens são os principais alvos desse descaso, pois além da educação recebida em casa, pelos pais, elas necessitam de uma formação intelectual mais concreta e, somente na escola, vão receber o aprendizado capaz de proporcionar um futuro melhor ou pelo menos digno.

Os governantes do nosso país sabem muito bem a carência no setor da educação, porém muitos fingem fazer alguma coisa enquanto outros fecham os olhos diante dessa realidade.

A corrupção está presente em todos os escândalos no setor financeiro, não é nenhuma novidade a questão do desvio de dinheiro, mas até quando teremos que suportar tantas promessas falsas, baixarias e falcatruas.

Se o desenvolvimento aumentasse no mesmo ritmo que os impostos sobem, a população ficaria satisfeita em tirar do bolso aquilo que lhe garantisse saúde, moradia e educação. Entretanto, se o retorno aparecer, com certeza será a longo prazo e os brasileiros continuarão a pagar sem garantia nenhuma de receber melhores condições de vida. Onde fica a democracia em tudo isso?

A ignorância é motivo de vergonha e, segundo a pesquisa apresentada por Aragaki, (2008) :

A queda de 29,1% na taxa de analfabetismo entre 1996 e 2006 não foi suficiente para tirar o Brasil do incômodo penúltimo lugar no ranking de alfabetização na América do Sul. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados no dia 28/09/2007, o percentual de brasileiros que não sabem ler e escrever é inferior apenas ao da Bolívia, onde a taxa de analfabetismo foi de 11,7% em 2005.

Mais grave ainda é a situação do Nordeste, que tem o mais elevado índice entre as cinco regiões do país. Na média, um em cada cinco nordestinos declarou que não sabe ler nem escrever um bilhete simples.Se fosse um país, o Nordeste teria o 5º pior desempenho em alfabetização da América Latina e Caribe, à frente apenas de Honduras, Guatemala, Nicarágua e Haiti.

A situação das escolas não são nada agradáveis, pode até haver força de vontade por parte dos professores e funcionários, mas a situação precária não contribue para o melhor desempenho nas atividades. Como afirma Donini, (2008) :

Faltam bibliotecas, laboratórios de ciência e de informática em grande parte das escolas da rede pública da educação básica. Metade dos professores leciona em escolas sem bibliotecas, quatro em cada cinco atuam em escolas sem laboratório de ciências, e três em cada quatro professores estão em escolas que não possuem laboratório de informática. A ausência de recursos didáticos é diferente entre as regiões, e isso dificulta o aprendizado, e ai acontece a decadência da escolaridade, e vem daí o que dizem que escola pública não presta.

Existem outros problemas como a falta de incentivo aos professores, pois a carga horária que cumprem é cansativa e são mal-remunerados. A insatisfação faz com que percam a vontade de lecionar.

A falta de incentivos e de recursos são apenas alguns dos fatores responsáveis pela má qualidade de ensino, pois o que realmente incomoda são os alunos desinteressados na sala de aula, sem vontade de aprender e o que é pior, atrapalham aqueles que prestam atenção na aula.

Por outro lado, há crianças espalhadas pelo Brasil inteiro que sonham em um dia poder ir à escola, ter o seu caderno e o lápis para copiar a matéria da lousa, poder comer na hora do intervalo a merenda e brincar com seus amigos. Para essas, a escola deveria ser o espaço em que além de adquirir conhecimento, possam ter contato com outras pessoas da mesma faixa etária e se socializar em um ambiente saudável.

De acordo com Aloísio de Toledo César, (2008, p. A4) :

A falta de educação escolar, enfim, é uma peste das mais graves, porque, além de contaminar irremediavelmente a formação intelectual das crianças, com reflexos amargos na vida de cada uma delas, afeta o país como um todo, humilhando-os perante o mundo civilizado.

As crianças têm o direito de ser crianças, sem exploração do trabalho infantil, sem restrições à escolarização, pois são elas que construirão o amanhã, serão futuros administradores, médicos, engenheiros, cientistas , professores, entre outros.

Contudo, como vão se tornar profissionais competentes e enfrentar o mercado de trabalho se não tiverem uma formação de boa qualidade. A faculdade para alguns é uma coisa impossível, já que custa caro, mas isso não é mais uma barreira para o adolescente não estar em uma Universidade.

Atualmente existem bolsas de estudo e várias outras formas de financiamento que facilitam o pagamento dos estudos. O sonho de milhares de crianças não estaria tão distante se o governo investisse mais nas escolas de rede estadual e incentivasse o ingresso ao ensino superior.                                                                            

Referências

ARAGAKI, Bruno. Brasil tem segundo maior índice de analfabetismo da América do Sul, 2007. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/educacao/ultnot/ult105u5900.jhtm>. Acesso em: 15 mar. 2008.

CÉSAR, Aloísio de Toledo. A passo de tartaruga. O Estado de São Paulo, São Paulo, 03 jan. 2008, p. A2. Primeiro caderno.

DOMINI, Michael Domini. A problemática da educação no Brasil, 2008. Disponível em: <http://www.coladaweb.com/sociologia/problematica.htm>. Acesso em: 15 mar. 2008.


Fonte: Article Marketing Brasil

Mirele


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