Crença Imposta Verso Convicção Raciocinada

Muito se fala de Espiritismo, mas a verdade é que, uma parte reduzida de iniciados e alguns sábios filósofos que se deram ao trabalho de estudá-lo; a massa, o vulgo, mantém a mais completa ignorância a respeito deste ramo da ciência.

Uns apenas vêem nele uma religião nova; outros se encontram ainda na lamentável fase dos princípios da nova ciência, isto é, nas explicações, pouco menos que infantis, do balbuciar do Espiritismo: alucinações, fenômenos inconscientes, ranger de tendões, fraudes, etc., etc.

Entretanto ainda hoje, para a enorme maioria das pessoas, o Espiritismo reduz-se a práticas bizarras de infelizes e alucinados que, de boa-fé, julgam falar com os parentes mortos ou receber a visita de grandes homens desaparecidos do mundo dos vivos.

Mas quando se estuda o Espiritismo pela primeira vez, experimenta-se verdadeira admiração, porque se vê então que os fenômenos espíritas ou chamados espiritistas se reduzem, em suma, a determinados tipos principais, de caracteres fixos e de grande precisão; que estes tipos de fenômenos estão solidamente estabelecidos e justificados pelo inegável testemunho de milhares e milhares de investigadores; e que têm sido atentamente observados e comprovados, com todo o rigor dos métodos experimentais, por ilustres sábios de todos os países; e, finalmente, que a sua negação pura e simples equivale hoje a uma confissão de ignorância.

E com tremenda surpresa se vê então que estes fatos foram o ponto de partida e a base de uma doutrina racional e verdadeiramente científica uma filosofia ao mesmo tempo fácil, muito fácil e muito bela.

Estes fatos e esta doutrina estão extensamente expostos na bibliografia especial do Espiritismo, que encerra numerosas obras de valor incalculável e de grande interesse.

Para apreciar esta doutrina em toda a sua extensão, é conveniente pôr de lado, momentaneamente, qualquer outra idéia filosófica ou religiosa que se tenha. O Espiritismo apresenta, com efeito, uma série de intensos contrastes com os outros sistemas metafísicos ou religiosos.

O Espiritismo difere das religiões pela ausência total de misticismo, não invocando revelações, nem sobrenatural. O Espiritismo só admite fatos experimentais, com as deduções que deles se desprendera.

Também se distingue da Metafísica, ao repelir todo o raciocínio a priori e toda a solução puramente imaginativa.  É uma Doutrina que não impõem dogmas, mas antes ensina a todos a colocar seus ensinos sob o crivo da razão e vai alem quando ensina ao neófito á raciocinar. O Espiritismo possibilita um novo olhar do ser humano a respeito dele mesmo e sobre a realidade à sua volta. Não se deve pensar que seus limites e possibilidades estão estabelecidos pela simples aceitação de seus princípios

Seu foco básico é a natureza espiritual do ser humano. É um conhecimento a respeito do Espírito, e que parte da essência espiritual para explicar a existência material.

O Espiritismo foi sistematizado a partir de 18 de abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, numa época de grandes transformações sociais, filosóficas e políticas.

São princípios básicos do Espiritismo:

1. A existência de Deus como Causa Primeira de todas as coisas, único e imaterial, sem a visão antropomórfica característica das religiões dogmáticas;
2. A existência dos espíritos como seres imateriais, imortais e que conservam a individualidade após a morte do corpo físico;
3. A evolução dos espíritos, sem cessar, na direção da perfeição divina única determinismo na vida;
4. A reencarnação como mecanismo fundamental para a evolução dos espíritos, em cujo processo se revela a Justiça Divina, que os educa para a compreensão das Leis de Deus;
5. A mediunidade como meio natural de comunicação entre os espíritos e como faculdade natural, inerente a todos os seres humanos;
6. A moral cristã como código de ética espírita, sobre a qual se apóia a conduta do verdadeiro espírita;
7. A pluralidade dos mundos habitados e não apenas a Terra, isto é, o universo infinito é plenamente ocupado.

A Doutrina Espírita penetra em quesitos fundamentais do conhecimento humano. Aborda questões morais, filosóficas, científicas e religiosas, daí porque se dizer que é ciência, filosofia e religião.

É Ciência porque, tendo método e objeto próprio, utiliza-se da observação e experimentação na busca de seu próprio desenvolvimento.

É Filosofia porque responde as questões básicas do saber humano. Estuda as origens do ser humano, de onde ele surgiu, para onde vai e quem é ele.

É Religião, mesmo sem ter sacerdócio organizado, cultos ou rituais, porque busca integrar o ser humano a Deus.

O Espiritismo é então o ponto de encontro desses conhecimentos.

É a chave e o código que introduz o ser humano na compreensão de sua verdadeira natureza a partir de um raciocínio lógico e racional e uma doutrina para quem possui autonomia no pensar.

 

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Francisco Amado

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