Bolinha De Gude X Jogos Eletrônicos
A molecada não sabe brincar. Os desenhos de hoje são violentos e não chegam aos pés dos antigos. As crianças só querem ficar em frente do vídeo game e do computador...são todos alienados. Essas e outras afirmativas do tipo ressoam por aí.
Eu mesmo já as disse várias vezes. Mas andei reformulando alguns pensamentos. Eu sempre brinquei de soltar pipa, bolinha de gude, balança caixão, esconde-esconde, polícia e ladrão. Joguei bugalho, dominó, vareta, e vários outros joguinhos “idosos”, ideais para brincar comendo bolinho de chuva, em um dia chuvoso, claro.
A pergunta é? Por quê vídeo game e Internet alienam e joguinhos e brincadeiras “idosas” não?
A questão, creio, está no toque, no olhar nos olhos, a convivência, a troca que essas brincadeiras antigas proporcionam. Mas os jogos eletrônicos não alienam. Pelo contrário, os acho até mais instrutivos do que algumas brincadeiras antigas. Jogos de vídeo game incentivam o planejamento, a estratégia, o pensamento rápido, a busca por informações sobre a próxima fase do jogo (leitura/pesquisa). Há outros que desenvolvem o raciocínio lógico do jogador e sua habilidade de resolver problemas. Existem até jogos com objetivos terapêuticos. Alguns jogos também ajudam os jovens a melhorar sua aptidão para a informática.
Na época que eu soltava pipa... isso sim era uma grande alienação. Eu ficava horas e mais horas com ela no ar, pensando em nada e olhando para o nada. A grande diferença daqueles tempos com os de hoje era a presença dos amigos de “carne e osso”. Estávamos sempre juntos, conversando, incentivando o diálogo, as relações humanas, crescendo no mundo das idéias, enfrentando as diferenças. Eu não dispensava a presença dos amigos, uma festa, uma ida aos points da cidade por conta das brincadeiras.
E é aí que mora o perigo dos games e da Internet. Estes podem nos isolar das relações humanas – não que elas estejam lá essas coisas —, mas são necessárias, são sadias. Tudo o que nos deixa bitolados pode nos causar problemas. Cuidado com os extremos! Essa dica é válida para todos os sentidos da vida: trabalho, escola, religiosidade, namoros, liberdade etc.
Com relação aos desenhos. Bom, os de hoje são bem mais chatos e violentos mesmos. Mas os antigos sempre tiveram a agressividade embutida e em alguns casos até descarada. É só lembrar do Pica-pau, do Tom e Jerry. E do papa-léguas então? E nem me venha com essa de que era uma violência do bem, sem maldade. São sarcásticas e irônicas no osso! Ah! Não posso esquecer dos filmes de cowboy que o papai ou vovô sempre assistiam. Bang-Bang! POW!
|
Divã do Masini Marcos Masini é jornalista e escreve diariamente no blog Divã do Masini.
|
Fonte: Article Marketing Brasil
Divã do Masini
Este artigo é concedido com Licença
Creative Commons. E' permitida a sua republicação integral,
sem modificaçoes, inclusos os links e as informaçoes sobre
o autor e fonte quando presentes