O Design Na Teledramaturgia

O Design Na Teledramaturgia: Um olhar sobre as vinhetas de abertura das telenovelas da TV Globo

Resumo

Este texto é uma análise do discurso visual como elemento determinante nas vinhetas de abertura das telenovelas da TV Globo. Estas vinhetas são sistemas de linguagens que comunicam através de imagem e som, compõe em seu repertório o imaginário cultural da coletividade utilizado como processo informativo e persuasivo.

Pelo aspecto cultural e pelo poder de manipulação do inconsciente, as vinhetas resultam em sentido simbólico e ideológico. Busca-se identificar o design e os efeitos que as vinhetas podem transmitir ao telespectador, compreendendo quais aspectos visuais estão contidos nesse complexo imagético e sonoro utilizado com destaque no Brasil pela TV Globo.

Palavras-chave: televisão, TV Globo, vinheta de abertura, telenovela.

Abstract

This text is an analysis of the visual speech as a determining element for the introductory vignettes of the “soap operas by TV Globo”. The introductory vignettes of “soap operas” are a language system that communicates though image and sound, composing in its repertory the cultural imaginary of the collectivity, being used as an informative and persuasive process.

For the cultural aspect and manipulation power of the unconscious, they result in a symbolic and introductory vignettes of “soap opera” can transmit to the TV spectator, aiming at better understand which visual aspects are part of this complex of image and sound, used in Brazil mostly by TV Globo.

Key words: television, TV Globo, vignettes of soap opera.

A TV Globo e suas novelas: O folhetim Eletrônico

A televisão começa a evoluir a partir da revolução da tecnologia das telecomunicações. Na década de 60 presenciamos um grande avanço com o surgimento do videoteipe, viabilizando a agravação do conteúdo televisivo. Com o progresso aliado ao crescimento econômico, a televisão passa a disputar com outras mídias a distribuição de verbas de propaganda.

A TV Globo, inaugurada em 1965, mantém um alto investimento em tecnologia e estratégia política, possibilitando o destaque da emissora em relação às suas concorrentes.

A imagem em cores em alta definição, a transmissão via satélite, o som estéreo, os recursos e técnicas de edição, a evolução das câmeras e o processo de informatização e modernos aparelhos receptores de sinais também viabilizaram a grande revolução da televisão.

O destaque frente a concorrência permitiu à TV Globo grandes investimentos na produção de imagem e som de alta qualidade.

A partir dos anos 70, segundo Tremer e Monteiro (1997: 48), a TV Globo se consagra como a maior emissora no país:

[...] obteve grandes números no IBOPE [...]. Passou a conquistar um número cada vez maior de afiliadas, tornando-se cada vez mais rentável, e investiu em melhorias técnicas consideráveis, elevando a televisão brasileira a um nível somente comparável a alguns poucos países do primeiro mundo.

A vinheta: sua origem, produção e significados

O repertório da televisão compreende uma grande variedade de assuntos e pela sua principal característica - que é a velocidade - são distribuídos em recortes muito rápidos. Através das chamadas, ela informa o telespectador de sua programação. Comunica as manchetes mais importantes e outras informações relevantes para a emissora.

Com o objetivo de administrar esta quantidade de informação passa a utilizar o recurso chamado vinheta, uma forma de linguagem capaz de dar suporte e de organizar o material televisivo.

No entanto, podemos constatar que as vinhetas, além de suas funções operacionais, possuem outros objetivos, como o de consolidar estética e simbolicamente a imagem da emissora.

Se entendermos a origem e o contexto histórico das vinhetas, suas formas de linguagem e a sua adaptação à linguagem televisiva, as funções das vinhetas da TV Globo tornam-se mais compreensíveis.

A vinheta originou-se na Idade Antiga através da oralidade na interpretação dos textos sagrados e na Idade Média tinha por função ornar as iluminuras por meio de desenhos e pinturas com valores simbólicos.

Na Idade Moderna, com a revolução da imprensa, surge o termo vinheta - do francês vignette (folha da videira) -, o qual ganha função decorativa e passa a fazer parte da editoração gráfica. Na Idade Contemporânea, a vinheta foi adaptada para a televisão e outros meios de comunicação de massa como cinema, rádio e Internet, também é utilizada na arquitetura, pintura e no design (Aznar, 1997).

A televisão, na década de 50, utiliza a vinheta precariamente, haja vista a falta de recursos e tecnologia. À medida que o sistema se moderniza, lembrando da proximidade das artes gráficas contemporâneas com a imagem em video, através da arte eletrônica e da computação gráfica, a vinheta também evolui (Aznar, 1997).

A partir de 1970, a TV Globo inicia o investimento em sofisticados recursos tecnológicos. Em 1975, com o avanço da tecnologia (computadores, engenharia de telecomunicações, televisão em cores, etc.), tem-se uma melhoria extraordinária na qualidade da sensação audiovisual.

Aliado aos computadores e ao design em movimento, surge a nova era das imagens sintéticas e com ilusão da tridimensionalidade. A TV Globo forma uma equipe especializada e inicia o investimento nas vinhetas em movimento, originalmente desenvolvidas à base de técnicas do cinema e, em seguida, por meio dos recursos do designe da computação gráfica, sob o comando do designer austríaco Hans Donner, que promove um novo conceito de vinheta aplicada à televisão.

Esse processo, denominado videographics, consiste em um tipo de criação que envolve profissionais das mais diferentes áreas como: animadores, câmeras, cenógrafos, coreógrafos, designers, diretores, fotógrafos, diretores de fotografia, editores, figurinistas, ilustradores, maquetistas, maquiadores, músicos e produtores.

O processo de produção dos videographics envolve etapas como: a criação, a modelagem, a animação e a finalização. Primeiramente, uma vinheta é grafo pictórica e, em seguida, tecnológica. O storyboard (conjunto de imagens, normalmente ilustrações, que orientam a ação que terá a vinheta)é semelhante ao da produção das primeiras vinhetas animadas.

A finalização executada no exterior, envolvia os mais sofisticados equipamentos da computação gráfica, os quais possibilitavam até a viabilização de imagens em movimento com ilusão tridimensional (Aznar, 1997: 51-58).

A vinheta na televisão tem várias funções e recebe denominação própria: vinheta de identidade, vinheta de chamada, vinheta de passagem e vinheta de abertura,sendoesta últimao objeto de estudo deste artigo.

A definição de vinheta na televisão pode ser: peça de curta metragem, constituída de algum tipo de signo ou representação, composta de elementos imagéticos, sonoros e mensagem de expressão verbal, usada com fim informativo, decorativo, ilustrativo, de remate, de chamada, de passagem, de identificação institucional e de organização do espaço televisivo, etc.

As vinhetas aparecem nos espaços interprogramas e breaks e na abertura de programas como as telenovelas, projetos estes tão aguardados quanto as próprias telenovelas a que se destinam. Segundo Aznar (1997:44) a vinheta tornou-se um apelo decorativo imagético e sonoro, que além de identificar a emissora de forma característica, ainda tem a função de auxiliá-la a vender os seus produtos.

As imagens das vinhetas de abertura trazem consigo, sempre, um sistema de imagens com narrativa específica para tal programa, um signo de identificação, o logotipo e a música. São elaboradas pela arte dos videographics, hoje departamento da TV Globo que integra a Central Globo de Comunicação.

A tecnologia assume função primordial na produção das vinhetas, pois estas são feitas a partir da fusão da arte do vídeo, produzida por câmeras (videoteipe) e do design, representada por desenhos, grafismos ou imagens.

Machado (1997: 158) informa que “a evolução da imagem analógica para uma linguagem digital pode ser definida como a transformação de uma televisão predominantemente figurativa em uma televisão predominantemente gráfica. O tratamento digital da imagem, segundo ele, nasceu da pesquisa para aprimoramento da transmissão via satélite.

As vinhetas de abertura das novelas e as vinhetas de cunho promocionais da TV Globo têm sido, atualmente, elaboradas com técnica mista de design: em videoteipe e imagens sintéticas.

As vinhetas, inseridas na categoria dos signos imagéticos, possuem muitas qualidades e peculiaridades comunicativas e, da complexa variedade de signos que formam o espaço televisivo, as imagens são um universo muito amplo de possibilidades de comunicação, podendo revelar inúmeras mensagens.

Nas palavras de Dimbleby e Burton (1985: 193) “as imagens são especialmente poderosas, oferecendo mensagens sobre crenças, porque elas são o canal dominante da comunicação na mídia.

As vinhetas de abertura são criadas por uma combinação artística de desenhos de traços livres, de formas geométricas, com técnicas de cores e de luz manipulada em movimento por processos informatizados: localiza-se no plano da aparência e da ilusão. São geradas com os recursos da técnica, originada do imaginário, materializada no papel e, posteriormente, digitalizadas.

Segundo Aznar (1997: 62) “a vinheta adaptada para o vídeo é uma experiência visual contemporânea, produzida artificialmente; sua imagem é sintética, eletrônica e sincrônica, oriunda das novas tecnologias que com seu estilo próprio, constitui-se uma forma de arte da televisão comercial”.

A criação de vinhetas pelo processo videográfico é uma tendência da arte contemporânea em que se justapõem dois tipos de representações: são imagens semi-abstratas, ou seja, usando duas codificações, representam a realidade figurativa e não-figurativa; ou ainda, iconográficas e simbólicas justapondo-se à dupla codificação.

Além dessas misturas de técnicas tradicionais e modernas advindas das artes, as vinhetas estão em movimento ou congeladas para pequenos contrastes ou intencionalidades como, por exemplo, as vinhetas institucionais, cujo objetivo é fixar a marca da emissora na memória do telespectador e que podem ser relacionadas a outro conceito de imagem, a imagem de marca, que é a representação mental nascida dos atributos da marca. A imagem em movimento também é proporcionada pela computação gráfica.

Uma vinheta assume diversas características simultaneamente, ou seja, resultado de uma composição gráfica com uso de diversos elementos de linguagens e com certa intencionalidade. As imagens que compõem algumas vinhetas de função promocional da TV Globo mostram paisagens vegetais e paisagens urbanas que retratam monumentos simbólicos, como a vista do globo terrestre, cidades e pontos turísticos.

São imagens panorâmicas aéreas vistas através do efeito transparência da marca da TV Globo. As vinhetas do tipo cartuns eletrônicos narram pequenas estórias com modelos simbólicos diversos da cultura nacional. Além do mais, está relacionada diretamente com a marca da TV Globo decorada pela imagem e pelo som da vinheta, símbolo da emissora.

Entretanto, as vinhetas de abertura das telenovelas apresentam um complexo simbólico bem mais variado. Em geral, trazem em sua narrativa, mensagens que se relacionam com a temática ou com a idéia da telenovela e normalmente são ricas em simbologias.

Muitas vezes, as mensagens são explícitas, mas também podem aparecer em forma alegórica. Como diz Epstein (2000:68) um “símbolo nunca é completamente esclarecido explicitamente, isto é, sempre há um resíduo implícito”. Segundo ele, deve haver alguma forma de semelhança em todo símbolo ou toda relação simbólica. “Os símbolos são sistemas de representação fracos, porém jamais nulos, pois eles refletem sempre um objeto simbolizado”.

O som das vinhetas de abertura das telenovelas.

 A música certamente atua no inconsciente do público; o que caracteriza o investimento na criatividade estética das vinhetas de abertura é agradar. Ao agradar, ela faz o efeito e cumpre os seus objetivos. Ferraretto (2000: 286) afirma que “[...] a música e os efeitos exploram a sugestão, criando imagens na mente”.

A música desempenha um papel relativo à estimulação emocional, daí sua importância na composição das vinhetas. Ela, articulada com a imagem, seguindo certos princípios, pode, segundo Samuel (1964: 605), “[...] representar um elemento unificador, pode acentuar um efeito, sugerir um movimento e criar uma atmosfera [...]”.

A música-tema é mais característica das vinhetas de abertura das telenovelas. Nas vinhetas de abertura percebe-se a identificação, o sentido e a afinidade entre imagem e som. Assim a TV Globo utiliza vinhetas capazes de fazer o público identificá-las, não só pelo visual, mas também pela audição.

Para Koellreutter (1987) a música é um meio de comunicação, um veículo para a transmissão e a difusão de idéias e de pensamentos, daquilo que foi pesquisado e descoberto ou inventado em nossa época; um meio de comunicação e de difusão que faz uso de um sistema de sinais sonoros.

A TV Globo cria em suas vinhetas de abertura um discurso sonoro que pela repetição, normalmente de oito meses, período de veiculação da novela, é facilmente identificável. A música na modernidade, devido ao seu poder em relação às emoções e a sua ação dentro de seus limites sensoriais, é empregada para os mais diversos fins. É devido a sua capacidade de operar nos limites do inconsciente que ela serve aos fins pragmáticos da propaganda.

Ao colaborar para formar uma imagem mental no receptor, a música estabeleceu-se na modernidade como um elemento indispensável na construção das peças de comunicação de sentido persuasivo. Nas vinhetas de abertura das telenovelas da TV Globo a escolha música é tão importante quanto o design, e o sincronismo deste dois elementos é sempre fator de investigação no processo criativo.

 Para exemplificar, relembrarmos músicas-tema que consagraram vinhetas de abertura como a inesquecível “Tieta”, eternizada na voz de Luiz Caldas, “Blue Moon” versão da banda The Marcels do Beijo do Vampiro. Composição de Rita Lee e Roberto de Carvalho gravada pelo grupo metrô para Tititi.

O cantor Ednardo torna-se nacionalmente conhecido com a canção Pavão Misterioso em Saramandaia. Ao recordarmos o trecho da música “Abra suas asas/ solte suas feras/ caia na gandaia/ entre nessa festa” é impossível não associar e relembrar as imagens da vinheta de abertura de Dancin’ Days, composto por Nelson Motta e gravado pelas Frenéticas, o sucesso foi tanto que se tornou hino nas discotecas da década de 70.

A vinheta de abertura de Pai Herói comoveu o Brasil com a emoção de “Pai” grande sucesso na voz de Fábio Jr., “Brasil” de Cazuza interpretado por Gal Costa, em Vale Tudo consagrou este jovem artista como um grande compositor, “Me chama que eu vou” cantada por Sidney Magal, virou hit e projetou a lambada no país em Rainha da Sucata, “Querida” de Tom Jobim em O Dono do Mundo; “Fera Ferida” de Roberto Carlos interpretada por Maria Bethânia, o ritmo “merengue” na voz de Elba Ramalho em Tropicaliente, “Tormento d’amore” composta por Marcelo Barbosa e interpretada por Agnaldo Rayol em Terra Nostra e "Alô Alô Brasil" na voz de Eduardo Dussek na vinheta das Filhas da Mãe, são alguns exemplos de trilhas musicais que associadas as imagens contribuíram para a consagração das vinhetas de abertura, sendo a música determinante para o sucesso das mesmas.

Portanto, as vinhetas de abertura através dos sons, são carregadas de intencionalidade. A partir do momento em que elas se tornam familiares, atribuem-se significados àquilo que se ouve.

O visual contido nas vinhetas da TV Globo

As vinhetas de abertura da TV Globo procuram persuadir as pessoas a gostarem de suas novelas, veiculando não só informações e entretenimento, mas em muitos casos difundindo ideologias.

Elas são as embalagens para os programas. Podem ser tomadas como produtos de processos criativos estéticos para serem consumidos como registradores da marca e como produto da indústria cultural devido ao fenômeno criativo e pelo fato desse material estar intimamente relacionado com o processo de midiatização e de resultados do trinômio cultura, ciência e tecnologia e, ao mesmo tempo, distribuído para o consumo via meios de comunicação de massa em grande escala.

Estão a serviço de interesses do sistema ou do veículo de comunicação, que funciona integrado à superestrutura social de poder. Dado o caráter de análise dos elementos subjetivos dos signos, procura-se apontar a ideologia na estrutura do signo. Como diz Bakhtin (1997: 31)

Um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social) como todo corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao contrário destes, ele também reflete e refrata uma outra realidade, que lhe é exterior. Tudo que é ideológico possui um significado e remete a algo situado fora de si mesmo. Em outros termos, tudo que é ideológico é um signo. Sem signo não existe ideologia.

O autor ainda afirma que “[...] toda imagem artístico-simbólica ocasionada por um objeto físico particular já é um produto ideológico [...]”. Para ele, o signo está sujeito a julgamentos de valores, portanto, é ideológico. Nas suas palavras:

Todo signo está sujeito aos critérios de avaliação ideológica (isto é: se for verdadeiro, falso correto, justificado, bom, etc.). O domínio do ideológico coincide com o domínio dos signos: são mutuamente correspondentes. Ali onde o signo se encontra, encontra-se também o ideológico. Tudo que é ideológico possui um valor semiótico.

Para Cohn (1978: 340) a “ideologia é um nível de significação, que pode estar presente em qualquer tipo de mensagem e qualquer material de comunicação social é suscetível de uma leitura ideológica”. Essa leitura, por sua vez, “consiste em descobrir a organização implícita ou não-manifesta das mensagens. Vale dizer: a ideologia não se encontra no nível do discurso explícito, mas naquele das regras que o organizam, no seu código”.

As vinhetas de abertura se revelam ideológicas à medida que se estruturam por códigos como a combinação de cores, ritmos, conteúdos das mensagens, elementos que se ligam ao entretenimento, ao apelo consumista e à afirmação do pensamento dominante. As vinhetas são elaboradas com intencionalidades subjetivas, como diz Donner (1997:59), “são peças para serem consumidas.

Na tevê, mexemos com a emoção do espectador, e temos uma liberdade incrível para produzir esses efeitos”. Para Aznar (1997: 44) as TVs elaboram estratégias visuais como parte do sucesso. A vinheta é dirigida para todas as classes sociais com a função de prender a atenção e vender os produtos da mídia. “É consumida como fantasia eletrônica [...]”.

Pela forma como Aznar explica as vinhetas, conclui-se que elas são símbolos. Estando a marca como parte da composição das vinhetas ou sendo ela mesma vinheta em alguns casos, também se supõe que a marca seja símbolo.

A marca, para Azevedo (1988: 41), também é um símbolo. Uma marca é concebida como um símbolo porque transmite informações às pessoas através de uma composição gráfica geométrica, um desenho abstrato, uma palavra desenhada, uma cor padronizada, sempre com caráter visual próprio. A forma como esse material é disposto nos papéis da empresa, como envelopes, cartões de visita e na publicidade, fazem parte do jogo simbólico.

Como, para o entendimento de uma forma, é necessário que ela faça parte do repertório de cada pessoa, isto nos leva a deduzir que essa forma nos remete a outra mais abstrata, através da analogia, da metáfora e da alegoria que ela expressa no vídeo, sendo compreendida e decodificada pelo receptor.

A forma adotada para comunicar o conteúdo de uma vinheta são viagens ao imaginário do telespectador, pois essas viagens estão ligadas à ação e emoção que elas despertam no telespectador (Aznar, 1997: 133).

A vinheta na mídia eletrônica geralmente impõe uma marca de identidade, um tipo de apelo visual e sonoro. Na TV Globo, ela é amplamente utilizada na teledramaturgia com fins promocionais. A vinheta de abertura é a propaganda institucional da telenovela em forma de espetáculo de imagens e de sons, um show à parte, sendo alvo de crítica como produto.

Além desses aspectos “mágicos”, ela abraça a sua marca aparecendo, cada vez mais. Na TV Globo, a vinheta de abertura é colocada em uma jogada de entretenimento para cativar o grande público.

Conclusão

As vinhetas de abertura da TV Globo constituem, em suma, formas de expressão com poder de comunicação significativa, subdivididas em formas distintas, ocupando funções específicas. Tais projetostransmitem mensagens, mesmo sendo de curta metragem, normalmente sessenta segundos, devido à sua própria linguagem e à forma como os criadores amarram essas peças ao próprio sistema que as veicula.

Tal prerrogativa decorre do poder de seus signos audiovisuais enquanto elementos de representação simbólica. Seus principais elementos constitutivos, a imagem e o som são formas desenvolvidas graças ao fato de o homem percebê-los como entidades culturais comunicativas.

A imagem, em todas as suas formas, estática ou em movimento, produzida por habilidades humanas, pela técnica e pelo design, tais como: o desenho, a pintura, a fotografia, a câmara, a arte e o computador, aliada à possibilidade técnica da reprodução em série, representa, historicamente, um dos instrumentos mais poderosos e responsáveis pela formação do imaginário das sociedades modernas.

A vinheta produzida pelo processo do design e das técnicas associadas impõe-se na contemporaneidade como forma de expressão estética, capaz de desempenhar papéis relacionados à comunicação. Na TV Globo, ela aparece, revestida de funcionalidades e de intencionalidades resultantes da síntese de procedimentos e de processos sincréticos culturais.

Desse modo, ela é o resultado da mistura de elementos que contêm significados próprios e da manipulação dos significados de repertórios pertencentes ao imaginário, à cultura e aos símbolos.

Assim, as vinhetas de abertura das telenovelas da TV Globo, além de ter objetivos estruturais e decorativos, trazem em seu repertório, discursos, cujas intenções, na maioria das vezes, não se percebem.

E fica registrada ao analisar tais vinhetas, a certeza quanto ao considerável número de informações exposto no universo televisivo, cujo objetivo é fixar mensagens no imaginário por força do veículo, destinadas a revelar à sociedade o que se passa e o que se pratica no mundo, segundo as suas próprias concepções ideológicas, nas artes, cultura, política e sociedade.

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Rogério Abreu
Mestre em Design pela PUC - Rio

Professor dos cursos de Publicidade e Propaganda e Design ESPM

Informaçoes sobre o autor

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Rogério Abreu - DORNELES Rogério Abreu

Designer, diretor de arte e gestor em design.
Graduado em Design pela UFSM-RS. Mestre em design pela PUC -Rio de Janeiro-RJ, Especialização em Art direction no The art Institute of Vancouver and Pacific Language Institute - Canadá.
Designer - Diretor de arte TV Globo Videographics-Central Globo de Comunicação.
Pós Imagem Design.
Ziraldo Produções.
Ogilvy Rio.
Professor nas áreas de criação e gestão nos cursos de Design e Publicidade Propaganda-ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing)

Site: rogerioabreu@carbonmade.com

Fonte: Article Marketing Brasil

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